As investigações e desdobramentos em torno da crise do Banco Master ganharam novos contornos políticos e passaram a impactar diretamente as costuras eleitorais do Partido Liberal (PL) na Região Sul. Reportagens recentes da imprensa nacional revelaram uma forte ofensiva parlamentar por parte do deputado federal Filipe Barros (PL-PR), cujas ações na Câmara dos Deputados teriam beneficiado indiretamente os interesses de Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira liquipada, e criado turbulências na pré-campanha do partido.
Apurações jornalísticas indicam que, entre 2024 e 2025, o parlamentar paranaense utilizou as prerrogativas do mandato para questionar e pressionar órgãos reguladores — como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Banco Central e a Previc — justamente nos momentos em que tais autarquias impunham restrições ou fiscalizavam os negócios do grupo de Vorcaro. Entre as iniciativas contestadas, esteve a apresentação de um projeto de lei que buscava ampliar o teto de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), medida apontada por analistas de mercado como altamente favorável ao modelo de captação operado pelo Master durante a sua fase aguda de instabilidade. O projeto acabou sendo retirado de tramitação pelo próprio deputado em fevereiro de 2025.
A crise ganhou repercussão nacional com a divulgação de que Eduardo Bolsonaro teria indicado Filipe Barros para substituí-lo no comando de comissão estratégica na Câmara quando viajou ao exterior, o que analistas interpretaram como um gesto político de retaguarda em meio ao agravamento das investigações do banco.
O avanço do caso reverbera diretamente na arquitetura política do Paraná. Como pré-candidato ao Senado, Filipe Barros é uma das principais apostas locais para dar sustentação e um palanque forte no estado a Flávio Bolsonaro (PL), que projeta sua própria candidatura à Presidência da República. A vinculação do nome de Barros ao escândalo do Banco Master gera desconforto em um eleitorado historicamente alinhado a pautas de combate à corrupção, além de tensionar as delicadas negociações regionais que envolvem também o senador Sergio Moro, hoje cotado como o principal nome da direita ao governo do estado.
Em manifestações públicas sobre o caso, Filipe Barros negou taxativamente qualquer tipo de irregularidade ou favorecimento. O deputado paranaense defende que suas requisições e projetos inserem-se estritamente na atividade fiscalizatória do parlamento e no interesse de blindar o sistema financeiro e os correntistas. Barros reiterou que nunca conheceu Daniel Vorcaro e afirmou que foi um dos primeiros a cobrar investigações da Polícia Federal sobre transações suspeitas no mercado, garantindo possuir plena confiança de que Flávio Bolsonaro saberá esclarecer quaisquer questionamentos políticos derivados desse episódio.









Deixe um comentário