Caso Master: Polícia Federal mira Daniel Vorcaro e executivos em fraude de R$ 17 bilhões

​A Polícia Federal (PF) intensificou, nesta última semana de janeiro de 2026, as investigações sobre o colapso do Banco Master. O foco da operação, batizada de Compliance Zero, recai sobre um esquema de “maquiagem” de balanços e venda de créditos fictícios que, segundo os investigadores, pode ter causado um rombo de até R$ 17 bilhões.

​A investigação, que tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF) e tem o ministro Dias Toffoli como relator, entrou em uma fase decisiva de depoimentos após a liquidação do banco pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025.

​Os principais personagens na mira da PF

​A rede de investigados se estende desde o alto escalão da instituição financeira até empresários e gestores de fundos de previdência. Confira os nomes centrais:

  • Daniel Vorcaro: Controlador e principal nome do Banco Master. Foi preso temporariamente no final de 2025 e é acusado de liderar o esquema de emissão de títulos sem lastro real para inflar o patrimônio do banco. Em depoimento recente, Vorcaro admitiu problemas de liquidez, mas negou fraude.
  • João Carlos Mansur: Fundador da Reag Investimentos (cuja DTVM também foi liquidada). A PF investiga se fundos geridos pela Reag foram utilizados para circular recursos de origem duvidosa e adquirir notas comerciais sem valor real do Master.
  • Nelson Tanure: O mega-investidor teve o celular apreendido. A PF apura se Tanure atuava como um “controlador de fato” ou parceiro estratégico em operações que mascaravam a fragilidade financeira do banco.
  • Ibaneis Rocha (Governador do DF): Citado em depoimentos devido à tentativa de venda do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília). A PF investiga se houve pressão política para que o banco público adquirisse carteiras de crédito podres do Master por R$ 2 bilhões.
  • Executivos do BRB: Dário Oswaldo Garcia Junior (Diretor Financeiro) e Robério Cesar Bonfim Mangueira (Superintendente) estão entre os que prestam depoimento nesta semana para esclarecer por que o banco estatal avançou em negociações com uma instituição já sob suspeita.

​As frentes da investigação em 2026

​O caso não se limita mais apenas ao sistema financeiro. Três novas frentes ganharam força nos últimos dias:

  1. A “Tigrinização” dos CDBs: A PF investiga se o Master usava taxas de retorno irreais para atrair investidores varejistas, sabendo que o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) teria que arcar com o prejuízo final — um modelo de negócio que Vorcaro admitiu ser baseado na garantia do fundo.
  2. Ataques ao Banco Central: Nesta quarta-feira (28), a PF abriu um novo inquérito para apurar se o grupo de Vorcaro pagou influenciadores digitais para orquestrar uma campanha de difamação contra o BC após a decretação da liquidação da instituição.
  3. Fundos de Pensão: A Operação Barco de Papel mira aportes de quase R$ 1 bilhão feitos pelo Rioprevidência no Master, investigando se gestores públicos foram corrompidos para colocar o dinheiro dos aposentados em ativos de alto risco.

​O que dizem as defesas

​A defesa de Daniel Vorcaro afirma que o banqueiro está à disposição da justiça e que as operações do banco seguiam as normas de mercado. O BRB sustenta que suas operações são pautadas por critérios técnicos e auditorias.

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