BRASÍLIA — Integrantes e lideranças de partidos do Centrão classificaram como um “tiro no pé” a recente fala do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) questionando o sistema eletrônico de votação no Brasil durante um encontro com representantes diplomáticos estrangeiros. Na avaliação de caciques partidários da base moderada, a estratégia do parlamentar reacende atritos desnecessários com a Justiça Eleitoral e afasta o eleitorado de centro, inviabilizando a construção de alianças amplas para o pleito presidencial.
Durante a reunião com embaixadores e diplomatas, Flávio Bolsonaro repetiu alegações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), incluindo teses infundadas sobre o uso de urnas da empresa Smartmatic nas eleições brasileiras — fato que a Justiça Eleitoral rejeita categoricamente desde 2017. O episódio gerou forte reação no cenário político, sendo comparado por adversários e aliados à reunião com diplomatas protagonizada por seu pai, Jair Bolsonaro, em 2022, caso que resultou na inelegibilidade do ex-presidente por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.
Reações políticas e desdobramentos no TSE
A repercussão no Congresso Nacional foi imediata. Para dirigentes de legendas de centro, a tentativa de posicionar Flávio Bolsonaro como uma alternativa de “direita moderada” perde força à medida que o discurso repete pautas de desconfiança institucional. Articuladores políticos apontam que a postura amplia a resistência entre eleitores independentes e dificulta a atração de partidos que buscam distância de pautas de fricção democrática.
No âmbito jurídico, o caso já mobiliza o Tribunal Superior Eleitoral. A Justiça Eleitoral recebeu consultas e representações formuladas por partidos de oposição e advogados sobre os limites das declarações feitas pelo senador. O TSE, por sua vez, divulgou esclarecimentos públicos reiterando que os equipamentos de votação utilizados no país são produzidos e auditados por mecanismos de segurança próprios do Estado brasileiro.
Em resposta às críticas, a assessoria e interlocutores de Flávio Bolsonaro divulgaram nota afirmando que a fala do senador não buscou colocar em dúvida o processo eleitoral brasileiro, defendendo apenas o incentivo a missões de observação internacional para reforçar a transparência do pleito. Apesar da tentativa de contenção de danos, o episódio consolida um cenário de incertezas e recalibragem nas negociações de bastidores para as composições partidárias do próximo ciclo eleitoral.
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