Internacional

China acusa EUA de ‘bullying’ após acordo sobre petróleo com governo interino da Venezuela

O governo da China subiu o tom nesta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, classificando como um “típico ato de bullying” a pressão exercida pelos Estados Unidos sobre o governo interino da Venezuela. A reação de Pequim ocorre após o presidente americano, Donald Trump, anunciar um acordo estratégico com a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, para o fornecimento exclusivo de petróleo a Washington.

​O estopim do conflito

​A crise diplomática escalou após a operação militar americana que resultou na captura de Nicolás Maduro no início de janeiro. Sob a liderança do secretário de Estado, Marco Rubio, a administração Trump estabeleceu um plano de três fases para a “estabilização” do país sul-americano.

​Entre as condições impostas ao governo interino, destaca-se a exigência de que Caracas interrompa relações econômicas estratégicas com China, Rússia, Irã e Cuba, priorizando os EUA como parceiro comercial único no setor de energia.

​Detalhes do acordo petrolífero

​De acordo com os anúncios mais recentes da Casa Branca e do Departamento de Energia:

  • Volume de exportação: A Venezuela deverá entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos EUA.
  • Controle financeiro: Washington administrará diretamente os recursos obtidos com a venda, alegando que o dinheiro será usado para a “reconstrução da economia venezuelana” e ajuda humanitária, evitando desvios por corrupção.
  • Redirecionamento de carga: Navios petroleiros que originalmente seguiriam para a China foram interceptados ou redirecionados sob a nova política de “quarentena” americana.

​A reação chinesa

​A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que as ações dos EUA violam a soberania venezuelana e as normas do direito internacional.

​”A utilização flagrante da força pelos Estados Unidos e a exigência de que a Venezuela favoreça os interesses americanos em detrimento de seus parceiros históricos é bullying internacional. Os direitos legítimos da China e de outros países devem ser respeitados”, declarou Mao Ning em coletiva de imprensa.

​A China é atualmente um dos maiores credores da Venezuela e recebe cerca de dois terços das exportações de petróleo do país como pagamento de dívidas passadas. O bloqueio americano ameaça diretamente a segurança energética chinesa e o retorno desses investimentos.

​Cenário atual

​Enquanto Delcy Rodríguez tenta equilibrar a pressão interna de aliados chavistas com as exigências de Trump para evitar uma nova invasão militar, os preços do petróleo no mercado internacional apresentam volatilidade. Analistas sugerem que os EUA pretendem usar as reservas venezuelanas — as maiores do mundo — para garantir o diesel e o asfalto necessários para a infraestrutura americana, eliminando a influência de Pequim no hemisfério ocidental.

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com