A escalada de tensão na América Latina atingiu um nível crítico neste início de 2026. O governo da China manifestou-se oficialmente para condenar a incursão militar dos Estados Unidos em território venezuelano, que resultou na captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Em comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, Pequim classificou a ação como um “comportamento hegemônico” que fere frontalmente a soberania nacional e os princípios da Carta das Nações Unidas.
O choque diplomático e a defesa da soberania
A chancelaria chinesa afirmou estar “profundamente chocada” com o uso de força militar contra um Estado soberano. Para o governo de Xi Jinping, a operação — conduzida sem o aval do Conselho de Segurança da ONU — abre um precedente perigoso para a ordem global. Pequim exortou Washington a interromper imediatamente as violações à segurança de outros países e a respeitar o multilateralismo.
A preocupação chinesa não é apenas diplomática, mas estratégica. Analistas apontam que cerca de 90% do petróleo venezuelano é exportado para a China. Uma mudança de regime imposta pela força e o controle direto das reservas por empresas norte-americanas, como sugerido pelo presidente Donald Trump, ameaçam o suprimento de uma commodity vital para a economia asiática.
Detalhes da “Operação Resolução Absoluta”
A ação que gerou o repúdio chinês ocorreu na madrugada de sábado, 3 de janeiro de 2026. Tropas de elite dos EUA realizaram bombardeios cirúrgicos em Caracas e capturaram Maduro em uma missão que durou pouco mais de duas horas.
- Captura e Detenção: Trump confirmou que Maduro e sua esposa foram levados para o navio de guerra USS Iwo Jima e, posteriormente, encaminhados para Nova York, onde enfrentarão julgamento por narcoterrorismo.
- Vítimas: Relatos iniciais indicam pelo menos 40 mortes decorrentes dos confrontos durante a extração do líder venezuelano.
- Governança: Em pronunciamento, Trump declarou que os EUA administrarão o país temporariamente até uma “transição segura”, indicando planos para que petroleiras americanas retomem a exploração no país.
Reação internacional e divisão regional
Enquanto a China e a Rússia classificam o episódio como “agressão armada”, a resposta na América Latina é polarizada. O governo brasileiro, sob o presidente Lula, classificou a captura como uma “linha inaceitável” e apelou por uma resposta da ONU. Por outro lado, o presidente da Argentina, Javier Milei, celebrou a ação com frases de apoio à “liberdade”.
A fronteira entre Brasil e Venezuela permanece fechada e monitorada por forças militares brasileiras, refletindo o clima de incerteza que paira sobre a região. O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir em caráter de emergência nesta segunda-feira para debater as consequências legais e humanitárias da intervenção.







