Cientistas descobrem nova espécie de “fungo zumbi” na Mata Atlântica do Rio de Janeiro

Uma expedição científica na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) El Nagual, em Nova Friburgo, região serrana do Rio de Janeiro, resultou na descoberta de uma nova e fascinante espécie de fungo parasita. Batizado de Purpureocillium atlanticum, o organismo ganhou o apelido de “fungo zumbi” devido ao seu ciclo de vida peculiar e letal, que envolve a manipulação e a morte de seus hospedeiros.

​O mecanismo de “zumbificação”

​Diferente dos fungos retratados na ficção (como na série The Last of Us), o P. atlanticum não ataca humanos. Seu foco são mariposas e outros insetos da biodiversidade local. O processo de infecção é digno de um roteiro de suspense biológico:

  1. Invasão: Os esporos do fungo aderem ao corpo do inseto e penetram em sua cutícula.
  2. Manipulação: O fungo cresce dentro do hospedeiro, consumindo seus nutrientes e, em alguns casos, influenciando o comportamento do animal para que ele morra em um local favorável à dispersão de novos esporos.
  3. Exibição: Após a morte do inseto, o fungo emerge através do corpo da vítima, exibindo uma coloração púrpura vibrante, característica que deu origem ao seu nome.

​Por que a descoberta é relevante?

​A identificação do Purpureocillium atlanticum reforça a importância vital da preservação da Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do mundo e que ainda abriga segredos desconhecidos pela ciência. De acordo com os pesquisadores envolvidos na expedição, a descoberta de novos fungos entomopatogênicos (que atacam insetos) possui implicações práticas significativas:

  • Controle Biológico: No futuro, esses fungos podem ser estudados para o desenvolvimento de pesticidas naturais, ajudando no controle de pragas agrícolas sem a necessidade de químicos tóxicos.
  • Novos Compostos Médicos: Fungos do gênero Purpureocillium são conhecidos por produzirem metabólitos com potencial farmacológico, incluindo propriedades antifúngicas e antivirais.
  • Saúde do Ecossistema: Esses parasitas atuam como reguladores naturais, impedindo que certas populações de insetos cresçam de forma descontrolada e desequilibrem o ambiente.

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