Cliente ataca mulher muçulmana com ofensas religiosas em Barueri

Vítima de 34 anos foi alvo de discurso de ódio e ameaças em supermercado na Grande São Paulo; caso é investigado como injúria racial e gera mobilização da comunidade islâmica.

​Um episódio de intolerância religiosa e discurso de ódio chocou frequentadores de um supermercado em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo. Uma mulher muçulmana de 34 anos, que utilizava o hijab (véu tradicional), foi agredida verbalmente por um cliente enquanto aguardava atendimento no setor de padaria da unidade. O caso, registrado em vídeo pela irmã da vítima, ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre o crescimento da islamofobia no Brasil.

​O ocorrido

​As imagens, que circulam nas redes sociais, mostram o agressor proferindo ofensas diretas contra a religião da vítima e sua vestimenta. Em um dos momentos mais tensos da gravação, o homem desafia a mulher com frases de teor violento: “Pode cortar meu pescoço”, fazendo uma alusão pejorativa e estereotipada a conflitos extremistas.

​A vítima relatou à polícia que as agressões começaram sem qualquer provocação prévia. Segundo seu depoimento, o homem demonstrou irritação apenas por sua presença física no local, utilizando termos que atacavam sua dignidade e liberdade de crença.

​Investigação e Tipificação

​O caso foi registrado no Distrito Policial de Barueri. Embora o ataque tenha tido motivação religiosa, o boletim de ocorrência foi tipificado como injúria racial. Vale destacar que, conforme entendimento recente do Supremo Tribunal Federal (STF), a injúria racial é equiparada ao crime de racismo, sendo, portanto, imprescritível e inafiançável.

​Fontes policiais indicam que o agressor já foi identificado por meio das imagens das câmeras de segurança e dos dados fornecidos por testemunhas. A polícia agora trabalha para colher novos depoimentos e concluir o inquérito que será enviado ao Ministério Público.

​Repercussão e Contexto

​A Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (FAMBRAS) e outras entidades de defesa dos direitos humanos manifestaram repúdio ao ataque. Em nota, representantes da comunidade islâmica destacaram que o uso do véu é um direito constitucional de liberdade de expressão e religião, e que ataques desse tipo refletem um preconceito estrutural que precisa ser combatido com rigor jurídico.

​Especialistas apontam que, em casos similares recentes no estado de São Paulo, a Justiça tem endurecido as penas. Em decisões de 2025 e início de 2026, tribunais paulistas condenaram agressores de mulheres muçulmanas a penas de prisão e indenizações por danos morais que ultrapassam os R$ 20 mil, servindo como medida pedagógica contra a intolerância.

​O supermercado onde ocorreu o crime informou, por meio de nota oficial, que “repudia qualquer forma de discriminação” e que está colaborando integralmente com as autoridades para a elucidação dos fatos, reforçando que sua equipe foi orientada a prestar auxílio imediato à vítima no momento da agressão.

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