Coca-Cola assume prejuízos e recolhe garrafas violadas por furtos de figurinhas da Copa do Mundo após pressão de supermercados

Uma campanha promocional que tinha tudo para ser uma grande festa para os colecionadores acabou se transformando em uma enorme dor de cabeça logística e financeira. A Coca-Cola e a fabricante de álbuns Panini viram sua mais recente parceria para a Copa do Mundo de 2026 virar alvo de uma onda de vandalismo e furtos em supermercados de todo o Brasil.

​O motivo? O verso dos rótulos das garrafas de 600ml e 2,5L (versões Original e Zero) traz 14 figurinhas exclusivas de jogadores — como o brasileiro Gabriel Magalhães e o espanhol Lamine Yamal — que não são vendidas nas bancas. Para conseguir os cromos sem pagar pelo refrigerante, frequentadores passaram a rasgar e arrancar os rótulos diretamente das gôndolas.

​O tamanho do prejuízo e a reação do varejo

​Sem os rótulos, os supermercados ficaram de mãos atadas: as garrafas perdem o código de barras e a tabela nutricional, tornando a comercialização impossível. Diante do rastro de embalagens “peladas” e inutilizadas, o setor varejista pressionou a fabricante por soluções.

  • Logística de recolhimento: Em resposta, a Coca-Cola fechou acordos para indenizar, bonificar e recolher os produtos danificados das redes de varejo, assumindo os custos gerados pela promoção.
  • Medidas de contenção: Cansados do prejuízo diário, alguns mercados adotaram estratégias próprias. Relatos apontam desde funcionários passando fita adesiva ao redor das garrafas até a transferência dos fardos de refrigerante para perto dos caixas ou para dentro de geladeiras trancadas. Algumas redes de menor porte simplesmente suspenderam o recebimento dos lotes promocionais.

​Implicações jurídicas e posicionamento das empresas

​Especialistas alertam que quem retira o rótulo sem pagar não está cometendo uma “travessura”, mas sim um crime. A conduta se enquadra nos artigos de furto (Art. 155) e dano material (Art. 163) do Código Penal brasileiro, podendo resultar em prisão em flagrante caso a segurança do estabelecimento identifique o infrator.

​Por meio de nota oficial, a Panini declarou que repudia veementemente a prática de vandalismo e furto nas gôndolas.

​Já a Coca-Cola informou que está em contato constante com seus parceiros comerciais para garantir a coleta e substituição dos itens avariados de forma ágil. Apesar do transtorno nos pontos de venda, a multinacional defendeu o formato da campanha, que também foi utilizado no Mundial do Catar em 2022, afirmando que a ação global continua registrando uma alta adesão do público e resultados comerciais bastante positivos.


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