CONSELHO DA PAZ: Trump cobra US$ 1 bilhão por adesão e convida Lula para novo órgão global

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou convites formais a dezenas de líderes mundiais, incluindo o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, para integrarem o recém-criado “Conselho da Paz”. A iniciativa, apresentada como uma estrutura internacional de transição para zonas de conflito, como a Faixa de Gaza, tem gerado intensas controvérsias diplomáticas devido às suas exigências financeiras e ao desenho institucional que desafia a soberania de órgãos tradicionais como a Organização das Nações Unidas (ONU).

​O “preço” da paz e a presidência vitalícia

​De acordo com o rascunho do estatuto do conselho, revelado pela imprensa internacional e agências como Bloomberg e Reuters, os países que desejam uma “adesão permanente” ao grupo devem realizar uma contribuição de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,7 bilhões) no primeiro ano de vigência. Para as nações que não desembolsarem essa quantia, o mandato no conselho seria temporário, com duração de apenas três anos.

​A Casa Branca reagiu às críticas classificando as reportagens sobre a taxa como “enganosas”, afirmando que não existe uma “taxa mínima obrigatória”, mas admitiu que o status de membro permanente seria concedido a países que demonstrarem um “profundo compromisso financeiro e de segurança”.

​Além do fator financeiro, o controle absoluto de Trump sobre o órgão é um ponto de atrito. O estatuto prevê que Donald Trump seja o presidente vitalício do Conselho da Paz, detendo o poder final de veto sobre qualquer decisão, além de ser o único habilitado a convidar ou expulsar membros.

​Lula e o dilema diplomático brasileiro

​O convite chegou à Embaixada do Brasil em Washington nos últimos dias. Até o momento, o governo brasileiro mantém uma postura cautelosa. O presidente Lula e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, iniciaram conversas nesta segunda-feira (19) para avaliar a participação do país.

​Fontes do Itamaraty indicam que há forte resistência à ideia por dois motivos principais:

  1. Enfraquecimento da ONU: O Brasil é historicamente um defensor do multilateralismo e das Nações Unidas. O Conselho da Paz de Trump é visto por especialistas como uma “ONU paralela” que opera à margem do Direito Internacional.
  2. Custo e Soberania: A exigência de aportes bilionários e a concentração de poder nas mãos do presidente americano colidem com a política externa brasileira de autonomia e equilíbrio fiscal.

​Expansão e pressão sobre aliados

​Embora tenha sido concebido inicialmente para supervisionar a reconstrução de Gaza e a implementação de um governo técnico palestino, o estatuto do Conselho da Paz não limita sua atuação ao Oriente Médio. O texto fala em promover a “estabilidade e governança legal” em qualquer área ameaçada por conflitos.

​A pressão para adesão já começou. Recentemente, Trump sugeriu publicamente a imposição de tarifas de até 200% sobre vinhos e produtos franceses caso o presidente Emmanuel Macron — que se mostrou reticente à iniciativa — não aceite integrar o grupo. Além de Lula e Macron, líderes como Javier Milei (Argentina), que já sinalizou apoio, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair também foram citados como peças-chave no novo tabuleiro geopolítico de Trump.

​O mundo agora aguarda a resposta de Brasília e de outras capitais europeias, que pesam o custo político de se isolarem de uma nova ordem liderada pelos EUA contra a preservação das instituições globais vigentes.

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