A Secretaria de Estado da Comunicação do Paraná (Secom) formalizou a assinatura de três novos contratos com empresas do ecossistema Kantar IBOPE (Ibope Audiências Ltda., Ibope Monitor de Verificação Publicitária Ltda. e Ibope Monitor de Meios Publicitários Ltda.). As contratações, que totalizam R$ 1.043.641,56, visam à prestação de serviços de aferição de audiência de rádio e televisão, monitoramento de inserções e inteligência de mercado publicitário.
Os serviços têm vigência prevista de 12 meses, cobrindo o período estratégico que antecede e atravessa o calendário das eleições estaduais. O valor e a finalidade dessas contratações colocaram em alerta partidos de oposição e entidades civis, acendendo o debate sobre a fronteira entre o acompanhamento técnico da publicidade institucional e o eventual uso de informações privilegiadas para estratégias político-eleitorais.
O contexto do questionamento e o histórico do Instituto IRG
A apreensão manifestada por atores políticos, como a Executiva Estadual da Democracia Cristã (DC), ocorre em sequência a controvérsias anteriores envolvendo pesquisas de opinião pública no estado. Em meados do ano, a divulgação de levantamentos pelo Instituto IRG — associados à testagem de pré-candidatos vinculados aos seus respectivos “padrinhos políticos” — já havia desencadeado polêmica e questionamentos no meio político e na Assembleia Legislativa do Paraná.
O episódio motivou o ajuizamento de uma Ação Popular que contestou um contrato de R$ 583,8 mil celebrado entre o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) e o IRG. O processo requereu esclarecimentos sobre a coincidência temporal entre o contrato firmado pelo poder público e a publicação de pesquisas com cenários específicos para a sucessão estadual. Até o momento, o processo judicial não aponta condenação ou decisão definitiva que confirme qualquer ilegalidade, tratando-se de matéria sob apuração judicial.
Demandas por transparência e garantias institucionais
Com a nova rodada de acordos comerciais com o Kantar IBOPE, a discussão passou a focar na garantia de transparência na gestão dos dados coletados. As contratações foram realizadas por inexigibilidade de licitação, com amparo em atestados de exclusividade das empresas junto ao Conselho Executivo das Normas-Padrão (CENP).
Setores da imprensa e organizadores de fiscalização pública defendem a liberação detalhada dos Termos de Referência, da metodologia aplicada, da indicação das chefias responsáveis pelo recebimento dos relatórios de audiência e da especificação dos mecanismos de controle que impeçam o vazamento ou desvio dessas informações para comitês ou campanhas partidárias.
Posicionamento oficial e fiscalização
O Governo do Estado do Paraná e a Secretaria de Comunicação defendem que as contratações para verificação de mídia e medição de audiência constituem procedimentos administrativos de rotina. Segundo a administração pública, as métricas são indispensáveis para auditar a correta aplicação dos investimentos em campanhas institucionais e assegurar a eficiência dos recursos públicos direcionados à divulgação de programas sociais, alertas de saúde e prestação de serviços à população.
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