A busca de três meses pela arquiteta Fernanda Silveira de Andrade, de 29 anos, terminou de forma trágica no último sábado (24). O corpo da jovem foi localizado em uma área de mata no bairro de Marsilac, no extremo sul de São Paulo, após a prisão de seu ex-namorado, Euhanan dos Santos Barbosa, de 25 anos, que confessou o crime.
Fernanda estava desaparecida desde outubro de 2025. Segundo as investigações da Polícia Civil, Euhanan foi abordado por policiais militares enquanto caminhava pela rua e, após ser detido — ele já era procurado pela Justiça —, indicou o local exato onde havia enterrado o corpo da ex-companheira. Com o suspeito, os agentes apreenderam um revólver calibre .38 com numeração raspada e munições.
Um histórico de violência e falha na proteção
O caso de Fernanda é marcado por um ciclo de violência que as autoridades não conseguiram interromper. Em março de 2023, a arquiteta já havia sobrevivido a uma tentativa de homicídio cometida por Euhanan, que a esfaqueou oito vezes. Na ocasião, ela ficou internada por uma semana no Hospital Municipal de Parelheiros.
Mesmo com o registro de múltiplos boletins de ocorrência e a existência de medidas protetivas de urgência, Fernanda vivia sob constante terror psicológico. Relatos da família e registros policiais indicam que ela sofria ameaças de morte direcionadas a ela e a seus familiares, o que a levava, por medo, a manter contato com o agressor.
Em junho de 2024, um novo episódio de agressão foi registrado: Fernanda denunciou ter sido atingida por socos, chutes e golpes de capacete. No depoimento da época, ela reforçou que as ameaças eram diárias e que temia por sua vida.
Detalhes do crime e procedimentos judiciais
Em sua confissão, Euhanan dos Santos Barbosa afirmou ter matado Fernanda com dois tiros antes de ocultar o cadáver. O caso foi registrado no 101º Distrito Policial (Jardim das Imbuias) como feminicídio, ocultação de cadáver, violência doméstica e posse ilegal de arma de fogo.
A Justiça de São Paulo confirmou a prisão preventiva de Euhanan após audiência de custódia realizada no domingo (25). A defesa do suspeito ainda não se manifestou publicamente, sendo ele representado inicialmente pela Defensoria Pública.
O crime choca a cidade de Serra Negra, no interior paulista, onde a arquiteta residia antes de se mudar para a capital na tentativa de recomeçar sua vida longe do agressor. O desfecho reforça o debate sobre a eficácia das medidas protetivas e a escalada de violência contra a mulher no estado.
CORPO de arquiteta Fernanda Andrade é encontrado em SP e ex-namorado confessa feminicídio




