O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, admitiu em depoimento prestado à Polícia Federal ter oferecido um serviço de consultoria e concierge de luxo como “um agrado” para o ex-diretor do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza durante uma viagem familiar aos parques de diversão de Orlando, nos Estados Unidos. A oitiva, realizada por videoconferência diretamente do presídio da Papudinha, em Brasília, integra as investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) na Operação Compliance Zero.
Durante o interrogatório, que durou cerca de quatro horas, Vorcaro negou ter praticado atos de corrupção ou ter repassado propina ao ex-servidor da autoridade monetária. Segundo o banqueiro, o agrado ocorreu após Paulo Sérgio mencionar casualmente em uma reunião que viajaria para a Disney. Vorcaro teria então acionado uma empresa especializada para prestar assessoria VIP ao ex-diretor e sua família, afirmando aos investigadores que o benefício era praxe no seu meio social e frequentemente oferecido a amigos e conhecidos.
Para os investigadores da Polícia Federal, no entanto, a contratação dos serviços de alto padrão compõe um conjunto de evidências que apontam para a oferta de vantagens indevidas a autoridades do setor regulatório. As apurações buscam determinar se os favores prestados tinham como finalidade influenciar fiscalizações ou garantir decisões favoráveis a operações ligadas às instituições financeiras do empresário.
Preso preventivamente no âmbito das investigações sobre irregularidades no sistema financeiro, Vorcaro prestou o depoimento acompanhado de sua equipe jurídica. A defesa do ex-diretor do Banco Central nega qualquer favorecimento ao Banco Master e sustenta que a atuação de Paulo Sérgio no órgão regulador seguiu estritamente os parâmetros legais e técnicos. O processo segue sob análise no STF.
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