DELTAN DALLAGNOL: Moraes é confrontado por dados do LinkedIn e defesa pede soltura imediata de Filipe Martins
A recente prisão de Filipe Martins, ex-assessor para assuntos internacionais da Presidência, tornou-se o centro de um novo embate jurídico e político envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O motivo central do encarceramento — um suposto descumprimento de medida cautelar pelo uso da rede social LinkedIn — foi colocado sob xeque nesta semana por evidências técnicas apresentadas pela defesa e endossadas por figuras públicas como o ex-deputado Deltan Dallagnol.
O cerne da controvérsia: prova técnica vs. suspeita
No início de janeiro de 2026, Filipe Martins teve sua prisão domiciliar convertida em preventiva após Moraes identificar um suposto acesso ao seu perfil no LinkedIn. Para o ministro, o ato representou “total desrespeito pelas normas impostas” e pelas instituições democráticas.
No entanto, a defesa de Martins, liderada pelos advogados Jeffrey Chiquini e Ricardo Scheiffer, apresentou ao STF logs oficiais fornecidos pela Microsoft (proprietária do LinkedIn). Segundo os documentos:
- Data do último acesso: O registro aponta que o último login realizado na conta de Martins ocorreu em 2024, período anterior à imposição da medida cautelar que o proibia de usar redes sociais.
- Gestão de terceiros: A defesa esclareceu que o perfil estava sob administração exclusiva dos advogados para fins de preservação de provas e auditoria digital, não havendo qualquer uso pessoal pelo réu.
Reações e críticas: “Desmoralização” do sistema
Deltan Dallagnol utilizou suas plataformas para criticar duramente a decisão de Moraes, afirmando que o ministro foi “desmoralizado” por uma prova técnica e objetiva. Para Dallagnol, a manutenção da prisão diante de um dado da plataforma internacional revela uma face “persecutória” do processo.
”Não se trata de interpretação jurídica, mas de fato verificável e confirmado pela empresa. Se o LinkedIn prova que ele não acessou, a justificativa da prisão desaparece”, argumentou o ex-procurador em suas redes.
Contexto de condenação
É importante ressaltar que Filipe Martins foi condenado pelo STF em dezembro de 2025 a 21 anos e 6 meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado entre 2022 e 2023. Atualmente, ele aguarda o julgamento de recursos em liberdade/prisão domiciliar, mas a nova ordem de prisão preventiva o levou de volta ao regime fechado em Ponta Grossa (PR).
Próximos passos judiciais
A defesa já protocolou um pedido de reconsideração imediata e a revogação da prisão, alegando “erro material”. Até o momento, o ministro Alexandre de Moraes não se manifestou sobre os novos documentos apresentados, mas abriu prazo para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) emita um parecer sobre o caso.







