O cenário político do Paraná encerra o ano de 2025 sob forte tensão entre o Palácio Iguaçu e a oposição. Parlamentares estaduais e federais formalizaram denúncias junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para investigar supostas irregularidades financeiras e omissões em empresas de capital aberto controladas pelo estado, como a Sanepar e a Copel, ligando-as a um possível esquema de quitação de dívidas de campanha do governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD).
A ofensiva é liderada pelo deputado estadual Requião Filho (PDT), que recentemente migrou do PT criticando a “falta de coerência” da antiga sigla e reafirmando sua pré-candidatura ao governo em 2026. Segundo o parlamentar, a resposta do governo estadual às suspeitas — classificando o caso como “pauta velha” — apenas confirma que os fatos existiram.
O foco das denúncias: Sanepar e Copel
A representação enviada à CVM detalha pontos críticos que podem configurar crime contra o mercado de capitais:
- Omissão de passivos: Parlamentares apontam o sumiço de uma dívida bilionária (estimada em R\$ 3,2 bilhões) nos balanços da Copel, além de questionarem a transparência no processo de privatização da companhia.
- Uso político de estatais: A suspeita central envolve a utilização de contratos dessas empresas para sanar débitos de campanhas eleitorais passadas, o que feriria as normas de governança de empresas listadas na bolsa.
- Áudios comprometedores: A denúncia baseia-se em áudios que citam nomes do alto escalão do governo, incluindo o secretário Guto Silva.
Críticas ao Ministério Público
Em declarações ao portal Metrópoles, Requião Filho elevou o tom contra as instituições de controle local. O deputado indagou por que o Ministério Público do Paraná (MP-PR) ainda não apresentou punições, mesmo diante de casos que o governo admite serem de conhecimento antigo.
”Se o caso é antigo, por que o Ministério Público não fez nada? Por que ninguém foi punido? O MP tem sido conivente com o governo estadual”, acusou o parlamentar.
Resposta do Governo e cenário atual
A administração de Ratinho Jr. mantém a linha de que as acusações são tentativas da oposição de “ressuscitar” temas já esclarecidos judicialmente. O governo destaca que o Paraná encerra 2025 com a nota Capag A (Capacidade de Pagamento) do Tesouro Nacional e que o governador detém altos índices de aprovação popular — chegando a 85% em pesquisas recentes.
A assessoria do governador afirma que os envolvidos em irregularidades passadas foram demitidos por justa causa e que o Estado colabora com o Judiciário, mas reitera que a pauta é puramente eleitoral.
Próximos passos
A CVM deve analisar o mérito das representações para decidir se abre um Inquérito Administrativo. Paralelamente, a oposição na Assembleia Legislativa (ALEP) estuda a viabilidade de uma nova CPI para investigar contratos de consultoria firmados durante o processo de desestatização da Copel.







