Documentos secretos revelam sabatina de embaixador dos EUA com Juscelino Kubitschek durante a ditadura militar

​Uma reportagem especial baseada em papéis sigilosos do Departamento de Estado dos Estados Unidos trouxe à tona detalhes inéditos sobre como o governo norte-americano monitorava os passos do ex-presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976). Os documentos registram um encontro reservado entre JK e o então embaixador dos EUA no Brasil, William Manning Rountree, ocorrido em 14 de dezembro de 1970, durante o auge dos anos de chumbo no governo do general Emílio Garrastazu Médici.

​O relatório confidencial, datilografado em sete páginas e enviado a Washington em 5 de janeiro de 1971, detalha o interrogatório político e as impressões do diplomata sobre o criador de Brasília. Na ocasião, já se passavam dez anos do fim do mandato de Kubitschek. Cassado pela ditadura instaurada com o golpe de 1964 — regime que contou com o apoio ostensivo de Washington —, JK permanecia sob vigilância rigorosa do serviço de inteligência e impedido de exercer qualquer função política ou disputar eleições no país.

​O teor da conversa e o contexto histórico

​Durante a reunião, a comitiva norte-americana buscou diagnosticar o grau de influência de JK na oposição, suas visões sobre o cenário geopolítico e econômico do Brasil sob a ditadura, além de mapear possíveis articulações que pudessem ameaçar a estabilidade do regime militar.

​As revelações complementam a reconstrução histórica sobre o período e lançam luz sobre a diplomacia dos EUA no país no início da década de 1970. Naquela altura, o embaixador William Rountree atuava como peça central de interlocução entre a Casa Branca e os generais brasileiros, em um contexto marcado por forte repressão estatal, censura e denúncias internacionais de graves violações de direitos humanos.


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