A cerimônia de anúncio da retomada da construção de navios da Petrobras no Polo Naval de Rio Grande (RS), realizada nesta semana, foi marcada por um clima de forte polarização política. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), enfrentou uma série de vaias e gritos hostis vindos da plateia — composta majoritariamente por apoiadores do governo federal — e não hesitou em responder diretamente do púlpito.
O embate no palanque
Enquanto discursava ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Leite foi interrompido por manifestantes. Em tom de desabafo e ironia, o governador interrompeu sua fala oficial para questionar o comportamento do público, fazendo referência direta ao slogan utilizado pela campanha petista em 2022.
”Eu quero perguntar para vocês que estão vaiando: é esse o amor que venceu o ódio? É essa a união que vocês querem para o Brasil?”, disparou o governador.
Leite enfatizou que, apesar das divergências ideológicas, o momento deveria ser de celebração institucional, visto que o investimento na indústria naval beneficia a economia gaúcha como um todo. O governador reforçou que a cortesia e o respeito institucional deveriam prevalecer em eventos de Estado.
O contexto do anúncio
O evento oficializou a contratação de novas embarcações pela Petrobras, uma medida que visa revitalizar o setor naval brasileiro, duramente atingido nos últimos anos. Para o Rio Grande do Sul, a retomada do estaleiro representa a geração de milhares de empregos diretos e indiretos, motivo pelo qual a presença do governador era protocolar.
Repercussões e desdobramentos
Após o episódio, as redes sociais tornaram-se campo de batalha entre aliados de Leite, que classificaram as vaias como “intolerância política”, e opositores, que criticam a gestão estadual em áreas como a educação e a segurança pública.
- Lula e o Governo Federal: O presidente, embora tenha mantido um tom diplomático durante seu discurso, reforçou a importância da parceria entre estados e União, independentemente de partidos.
- Cenário local: O embate ocorre em um momento em que Eduardo Leite tenta equilibrar sua posição de oposição moderada ao governo federal com a necessidade de recursos da União para a reconstrução do estado após as enchentes históricas de 2024.
A tensão evidenciada no evento de Rio Grande demonstra que, embora a reconstrução física do estado avance, a polarização política continua sendo um desafio para o diálogo institucional no Rio Grande do Sul.




