A crise institucional que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos capítulos nesta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026. Informações reveladas pelos jornalistas Andreza Matais e André Shalders indicam que a proximidade entre o ministro Alexandre de Moraes e o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, é mais estreita do que se admitia anteriormente, envolvendo encontros reservados e cifras milionárias.
Os bastidores na mansão de Brasília
De acordo com a apuração, o ministro Alexandre de Moraes frequentou a residência de Vorcaro em Brasília em pelo menos duas ocasiões. O episódio mais sensível teria ocorrido no primeiro semestre de 2025, durante um final de semana.
Naquele encontro, Moraes teria sido apresentado a Paulo Henrique Costa, então presidente do Banco de Brasília (BRB). A reunião, que contou com a presença de um assessor do ministro, aconteceu em um momento crítico: o Banco Master enfrentava turbulências financeiras e buscava o apoio do BRB para uma possível operação de venda ou fusão.
O contrato de R$ 129 milhões
O elo financeiro da crise reside no escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Documentos apontam a existência de um contrato de R$ 129 milhões entre a banca de Viviane e o Banco Master.
Embora o montante seja expressivo, o ministro Alexandre de Moraes tem negado veementemente qualquer conflito de interesses. Em nota, a defesa do ministro afirma que:
- A advogada não teve qualquer participação nas negociações entre o Master e o BRB.
- Os serviços prestados pelo escritório são de natureza técnica e jurídica, sem relação com as decisões do Banco Central.
- O ministro não interfere nos negócios particulares de sua esposa.
O veto do Banco Central
Apesar das tentativas de aproximação articuladas nos bastidores de Brasília, o Banco Central (BC) agiu como um “muro” técnico. A autoridade monetária vetou a venda do Banco Master ao BRB, citando riscos estruturais e a necessidade de preservar a estabilidade do sistema financeiro. O veto do BC é visto por analistas como o principal ponto de fricção que trouxe o caso a público, expondo a rede de influência que operava em torno da instituição privada.
O que dizem os envolvidos: O Banco Master afirma que todas as suas relações institucionais seguem as normas de compliance. O BRB não comentou a saída de Paulo Henrique Costa do cargo após o desgaste do episódio.
Desdobramentos e pressão política
No Congresso, a oposição já se movimenta para pedir esclarecimentos formais sobre os encontros na mansão de Vorcaro. O argumento é que a presença de um ministro da Suprema Corte em reuniões de negócios de uma instituição privada — que possui contratos com sua família — fere a liturgia do cargo e o Código de Ética da Magistratura.
A crise não dá sinais de arrefecimento e coloca o STF em uma posição defensiva em um ano que já se desenha turbulento para as relações entre os Poderes.




