A tranquilidade habitual da Escola Secundária de Castelo de Paiva, no distrito de Aveiro, deu lugar a um clima de insegurança e indignação. O que começou como incidentes isolados escalou para uma série de furtos que, segundo relatos de encarregados de educação e fontes locais, estão a ser deliberadamente ignorados pela direção do agrupamento e pela autarquia para preservar a “paz institucional”.
O caso mais recente envolve uma aluna de 15 anos, que teve uma quantia em dinheiro subtraída dentro das instalações escolares. Contudo, este episódio é apenas a ponta do icebergue. Dezenas de outros relatos apontam para um padrão de criminalidade de baixa intensidade que não encontra eco nas estatísticas oficiais da GNR (Guarda Nacional Republicana), uma vez que as vítimas são frequentemente desencorajadas a formalizar queixas.
O muro de silêncio institucional
A postura das entidades responsáveis tem sido o principal alvo das críticas da comunidade escolar. Segundo informações apuradas junto ao jornal Paivense e à agência iMF Press Global, existe uma resistência sistémica em lidar com problemas que possam “manchar” a reputação da vila.
- A Direção da Escola: Em declarações anteriores, a administração escolar limitou-se a mencionar a aplicação de “medidas pedagógicas”, evitando tratar os casos como questões de segurança pública ou polícia.
- A Câmara Municipal: Até ao momento, o executivo camarário mantém-se em silêncio absoluto, não respondendo aos questionamentos sobre a falta de videovigilância ou reforço de patrulhamento no perímetro escolar.
- Subnotificação: Pais alegam que denúncias de furtos, casos de xenofobia e comportamentos preconceituosos são minimizados, criando uma sensação de impunidade que favorece a reincidência.
O contexto atual e as últimas novidades
De acordo com as atualizações mais recentes sobre a segurança escolar em Portugal no início de 2026, o Ministério da Educação tem enfrentado pressões para rever os protocolos de segurança em escolas de zonas periféricas. Embora o programa Escola Segura da GNR continue ativo, a falta de recursos humanos em postos territoriais menores, como o de Castelo de Paiva, dificulta a vigilância constante.
Recentemente, grupos de pais em redes sociais começaram a organizar-se para exigir a instalação de cacifos mais seguros e a presença de mais assistentes operacionais nos corredores, uma carência crónica em muitas escolas do país.
“O problema não é apenas o dinheiro roubado, é a mensagem de que, se acontecer algo dentro da escola, ninguém é responsável e ninguém será punido,” afirma um encarregado de educação que preferiu o anonimato.
Próximos passos e desdobramentos
A pressão mediática parece ser a única ferramenta capaz de romper o bloqueio informativo em Castelo de Paiva. Espera-se que, na próxima reunião do Conselho Geral da Escola, o tema seja formalmente incluído na ordem do dia devido à insistência dos representantes dos pais.




