WASHINGTON — Em uma nova investida para estrangular o financiamento de Teerã, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma escalada nas sanções econômicas globais. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, confirmou que Washington está em contato direto com diversos governos ao redor do mundo para exigir o encerramento gradual de negócios com o Irã, sob o risco de punições unilaterais contra aqueles que descumprirem as orientações.
A estratégia, batizada por Bessent como um “Dia D econômico”, foca na aplicação severa de sanções secundárias. O mecanismo permite aos EUA penalizar empresas, bancos e instituições de terceiros países que mantenham relações comerciais com o regime iraniano, bloqueando o acesso dessas entidades ao mercado e ao sistema financeiro americano operado em dólares.
Os principais alvos da ofensiva
A investida mira cinco setores cruciais que sustentam a economia iraniana:
- Criptomoedas e ativos digitais
- Tecnologia
- Comércio de ouro
- Setor de aviação
- Transporte marítimo
Além da inclusão de mais de 60 entidades em listas de restrição, o Tesouro indicou que uma grande instituição financeira internacional poderá sofrer punições diretas por suas operações com o Irã.
O impasse com a China e reações do mercado
O principal teste prático para o plano de Washington reside nas relações de Teerã com a China — o maior comprador do petróleo iraniano —, além de parceiros comerciais relevantes como Índia, Turquia, Iraque e Emirados Árabes Unidos. Sancionar grandes instituições bancárias chinesas poderia provocar fortes oscilações no comércio internacional. Ciente desse risco, Bessent adotou um tom de moderação diplomática ao afirmar que o governo americano busca conceder prazos específicos para adequação: “Por que eu gostaria de explodir o sistema financeiro global?”, questionou durante coletiva de imprensa.
No mercado financeiro, a notícia gerou cautela imediata. O índice S&P 500 registrou recuo, enquanto o dólar ganhou força globalmente. Por outro lado, os preços internacionais do petróleo fecharam em queda, refletindo a avaliação de analistas de que a aplicação de sanções mais severas sobre o fluxo energético iraniano deve ocorrer de forma gradual.
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