O primeiro debate presidencial das eleições de 2026, realizado pela TV Band no último domingo (23/8), foi marcado por ausências de peso e por uma forte disputa pelo domínio das redes sociais. Sem a presença de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o palco foi ocupado por Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e pelo estreante em disputas eleitorais Renan Santos, representante do partido recém-criado Missão. Foi justamente o candidato novato quem conseguiu capturar a maior fatia da atenção digital ao longo e após o confronto televisivo.
Levantamento realizado pela consultoria de monitoramento digital Palver aponta que Renan Santos não apenas liderou o volume total de menções durante o debate, mas também alcançou o maior percentual de avaliações favoráveis entre os participantes, registrando 38% de tom positivo em suas menções. A estratégia do candidato baseou-se em um tom incisivo e direto, desferindo ataques às ausências das principais lideranças das pesquisas de intenção de voto e provocando forte repercussão em ecossistemas de mensagens como WhatsApp e Telegram, além das redes sociais tradicionais.
Especialistas e analistas de dados destacam que a dominância nas redes é reflexo direto da estratégia de atuação do Missão, partido oriundo do Movimento Brasil Livre (MBL), cuja gênese e forte base de mobilização sempre priorizaram a comunicação digital em detrimento das mídias tradicionais. A posture agressiva de Renan no palco — que incluiu embates diretos e provocações simbólicas aos adversários ausentes — gerou material de alto valor de engajamento para a produção de cortes e conteúdos de rápida disseminação.
Entretanto, analistas de pesquisas eleitorais ponderam que a liderança em engajamento digital não se traduz automaticamente em intenções de voto no eleitorado geral. Embora tenha conquistado visibilidade expressiva entre a audiência hiperconectada e consolidado sua militância, o desafio de candidatos de legendas emergentes como o Missão reside em furar a bolha da internet para alcançar parcelas mais amplas e tradicionais do eleitorado, especialmente em uma corrida presidencial ainda caracterizada pela polarização.
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