Em um gesto que reafirma a importância da integridade, o estudante Leandro Pinheiro, de 25 anos, tornou-se protagonista de uma história de honestidade que ganhou repercussão nacional nesta última semana. Natural de Santa Inês, no Maranhão, e atualmente residindo em Goiânia para realizar o sonho de cursar enfermagem, Leandro devolveu integralmente a quantia de R$ 200 mil depositada por engano em sua conta bancária por um empresário do agronegócio.
O equívoco e o desespero
O caso teve início na manhã da última sexta-feira (16), quando um empresário de Cuiabá (MT), que pretendia realizar o pagamento de uma carreta de bovinos, digitou incorretamente a chave PIX do vendedor e acabou transferindo o montante para a conta de Leandro. O estudante relatou que a conta em questão era antiga e raramente utilizada.
Ao perceber o erro, o empresário entrou em contato com o jovem em estado de desespero. Segundo Leandro, a reação imediata foi tranquilizar o remetente: “Eu acalmei ele, falei para ele ter paciência que, se estivesse na minha conta, seria devolvido. Da forma que entrou, também iria sair”, afirmou em entrevista.
Trâmites bancários e honestidade
Apesar da disposição em devolver o dinheiro imediatamente, o alto valor gerou um bloqueio automático de segurança na conta do estudante. Foram necessários quatro dias de contatos com a instituição bancária e análises de segurança para que o estorno fosse devidamente processado. A devolução foi concluída na última terça-feira (20).
Leandro, que está atualmente desempregado e vive uma rotina de sacrifícios para manter seus estudos na capital goiana, destacou que sua atitude é reflexo da criação que recebeu. “Isso vem de criação de pai e mãe, sempre na linha da honestidade. Meu pai faleceu, mas deixou esse legado”, declarou emocionado.
Recompensa e reconhecimento
Como forma de gratidão pela postura ética do jovem, o empresário — que preferiu não ter a identidade divulgada — presenteou o estudante com uma recompensa de R$ 1.000. Em mensagem enviada a Leandro, o empresário reforçou: “Dinheiro vem e dinheiro vai. Valores e honestidade não têm preço que pague”.
O caso serve como um lembrete jurídico importante: a legislação brasileira prevê que a não devolução de valores recebidos por erro pode ser configurada como crime de apropriação indébita (Art. 169 do Código Penal), além de gerar enriquecimento sem causa, passível de ação cível. No entanto, para Leandro Pinheiro, o cumprimento da lei foi apenas uma consequência natural de seus princípios morais.




