O brasileiro Marcelo Andrade, de 37 anos, ex-bombeiro da Defesa Civil do Paraná, viveu semanas de extrema provação na linha de frente da guerra entre a Ucrânia e a Rússia. Recrutado originalmente com a expectativa de atuar como médico de combate devido à sua experiência anterior no Brasil, o paranaense acabou sendo enviado diretamente para a infantaria na perigosa região de Zaporíjia, poucas semanas após o seu desembarque no país europeu.
O combatente voluntário passou cerca de 20 dias em um bunker improvisado — que ele descreve como um “buraco no chão”, construído com madeira, lona e terra, sem qualquer tipo de luz ou conforto. Durante o período em que esteve posicionado perto da linha de combate, Marcelo enfrentou a escassez severa de alimentos e a total falta de água potável, chegando a ficar três dias sem beber nada e sendo obrigado, junto a outros soldados, a derreter e esquentar água da chuva misturada com chocolate para conseguir algum tipo de caloria. Diante das condições extremas e do desabastecimento, ele perdeu 10 quilos ao final da missão.
A rotina no front é marcada pelo isolamento absoluto e pelo perigo que vem do céu. O abastecimento das tropas ucranianas é feito essencialmente por drones. Quando esses equipamentos são abatidos pelas forças russas, os soldados ficam completamente desamparados. Além disso, os constantes ataques de drones inimigos dizimaram metade do grupo que realizou o treinamento militar junto com o brasileiro.
Marcelo relatou que o banho é inexistente no campo de batalha e que chegou a passar 40 dias sem conseguir se higienizar. Apesar de afirmar que tomou a decisão consciente de todos os riscos e que não se arrepende, o ex-bombeiro natural de Cascavel cumpre um contrato mínimo de seis meses e planeja retornar ao Brasil assim que o período terminar. Atualmente, ele aguarda uma transferência para uma unidade especializada em operações com drones, um setor considerado estrategicamente menos exposto do que as trincheiras da infantaria.








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