O desabastecimento de fórmulas lácteas especiais e suplementos nutricionais destinados a crianças com condições específicas de saúde (como alergia à proteína do leite de vaca – APLV) tornou-se o centro de uma crise humanitária e política em Paranaguá. Famílias relatam que, sem o insumo básico fornecido pela rede municipal, o tratamento de recém-nascidos e crianças está seriamente comprometido.
O impacto nas famílias
Para muitos pais, o custo dessas fórmulas — que podem chegar a valores entre R$ 200 e R$ 600 a lata — é impagável. A interrupção no fornecimento não é apenas um problema logístico, mas um risco à vida. Sem o “leite especial”, crianças apresentam quadros de desnutrição, reações alérgicas graves e internações recorrentes.
A pressão sobre o Executivo e o Legislativo
O atual prefeito, Adriano Ramos, tem enfrentado duras críticas pela gestão da Secretaria de Saúde. A população questiona como uma cidade com uma das maiores arrecadações do estado, devido à atividade portuária, permite que itens essenciais faltem nas prateleiras dos postos de saúde.
A cobrança também recai sobre a Câmara Municipal de Vereadores. O papel constitucional do vereador é fiscalizar o uso do dinheiro público e garantir que os serviços essenciais funcionem. A ausência de uma fiscalização rígida ou de pedidos de providência eficazes tem gerado revolta, sendo descrita por moradores como uma “omissão diante de uma patifaria com o dinheiro público”.
O que dizem as autoridades
Em monitoramentos recentes sobre a gestão de saúde na região litorânea:
- A Prefeitura: Geralmente atribui os atrasos a processos licitatórios desertos ou problemas com fornecedores, justificativas que pouco acalentam as mães que veem as latas de leite vazias em casa.
- Câmara de Vereadores: Alguns parlamentares alegam que estão cobrando relatórios, mas a população exige medidas mais drásticas, como a abertura de comissões de investigação para entender onde o fluxo de recursos está travando.
Situação Atual
O cenário em 2026 exige respostas rápidas. Com o aumento da inflação de itens alimentares e insumos médicos, a dependência do setor público aumentou. Enquanto a solução definitiva não chega, grupos de mães têm se organizado em redes sociais para realizar doações e trocas, tentando suprir o que deveria ser um direito garantido pelo Estado.
Nota do Jornalista: A saúde infantil é prioridade absoluta por lei (Estatuto da Criança e do Adolescente). Qualquer interrupção no fornecimento de dieta especial é passível de judicialização imediata.




