Família Batista expande império e assume controle total da Avibras por meio de family office

​A família Batista, fundadora e controladora do grupo JBS, fechou a aquisição de 100% da fabricante brasileira de equipamentos militares Avibras. A transação ocorre por meio da Globe Investimentos, o family office da família, e marca a entrada definitiva do grupo no estratégico setor de defesa nacional.

​A operação, que já foi notificada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e aguarda aprovação, foi selada com o FIP Brasil Crédito, fundo que detinha os ativos da companhia durante a sua reestruturação societária.

​Estratégia de capital e papel do family office

​A opção por realizar a transação através da Globe Investimentos, e não via J&F (holding oficial das operações do grupo), reflete uma mudança de estratégia corporativa implementada nos últimos meses.

​A partir da captação de US$ 400 milhões em bonds de sete anos realizada em abril, a J&F passou a adotar uma governança mais rigorosa para focar estritamente em negócios maduros, altamente geradores de caixa e com sinergias com a JBS. Projetos de reestruturação de longo prazo, de maior risco ou fora desse perfil core passam agora para o portfólio da Globe Investimentos. Um movimento semelhante do family office já havia ocorrido ao adquirir 4,99% do capital da Usiminas.

​O fim da crise na fabricante do sistema Astros

​Fundada em 1961 e sediada em São José dos Campos (SP), a Avibras é referência global no setor bélico pelo desenvolvimento do Sistema Astros de artilharia e pelo míssil de cruzeiro MTC-300, sendo considerada uma Empresa Estratégica de Defesa pelas Forças Armadas do Brasil.

​Apesar de seu valor estratégico, a companhia vinha enfrentando grave crise financeira e se encontrava em recuperação judicial desde 2022, acumulando mais de R$ 600 milhões em dívidas e uma greve de trabalhadores que durou mais de 1.200 dias.

​A aproximação dos Batista começou em maio, quando Joesley Batista participou de um financiamento de R$ 300 milhões que possibilitou um acordo trabalhista de R$ 230 milhões e a consequente retomada da produção da fábrica. A transação consolidada devolve estabilidade à maior empresa privada de defesa do país, alinhando-se aos planos das Forças Armadas e ao aporte de recursos previstos pela legislação de incentivo ao setor militar. 


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