O cenário da comunicação no Paraná sofreu uma mudança sísmica na última semana de janeiro de 2026. A família Cunha Pereira, que por mais de 60 anos ditou os rumos do jornalismo e do entretenimento no estado, confirmou a venda de sua participação majoritária na RPC (Rede Paranaense de Comunicação), a principal afiliada da TV Globo no país em termos de audiência. O comprador é o empresário Mariano Lemanski, até então sócio do grupo, que desembolsou cerca de R$ 300 milhões para assumir o controle total da operação audiovisual.
O fim de um ciclo histórico
A transição, comunicada oficialmente aos funcionários em 30 de janeiro de 2026, marca o desmembramento do GRPCOM (Grupo Paranaense de Comunicação). Com o acordo, os irmãos Guilherme Cunha Pereira e Ana Amélia Filizola deixam o comando das oito emissoras de TV que cobrem o estado e das rádios 98FM e Mundo Livre FM.
A partir de agora, o clã Cunha Pereira concentra seus esforços e estrutura exclusivamente no segmento de mídia impressa e digital, mantendo o controle dos jornais Gazeta do Povo e Tribuna do Paraná. Para analistas do setor, o movimento representa o “fim de uma era”, reduzindo o poder político e econômico de uma das famílias mais tradicionais do estado, que antes detinha um conglomerado cross-media quase imbatível.
Detalhes da nova gestão
Sob o comando de Mariano Lemanski, a RPC passa por uma reestruturação administrativa. Embora a gestão operacional deva manter figuras conhecidas, como o executivo Eduardo Boschetti, a mudança societária visa dar “maior autonomia” a cada núcleo de negócio.
- Setor Audiovisual: Agora integralmente sob a batuta dos Lemanski, inclui as oito geradoras da Globo no Paraná.
- Setor de Jornais: Permanece com os Cunha Pereira, que nos últimos anos já haviam migrado o modelo de negócio da Gazeta do Povo para o ambiente digital, encerrando a circulação diária de papel.
Impacto no mercado
A venda ocorre em um momento de profunda transformação no consumo de mídia. Enquanto a RPC se consolida como uma potência de audiência na TV aberta, os jornais enfrentam os desafios da monetização digital. A separação dos ativos permite que cada família foque em estratégias distintas: os Lemanski no fortalecimento do alcance regional da TV e rádio, e os Cunha Pereira na manutenção da influência editorial conservadora e nacionalizada da Gazeta do Povo.
A negociação, embora descrita em nota oficial como uma decisão tomada com “pesar” pela história construída, é vista como um passo pragmático para a sobrevivência e especialização das marcas em um mercado cada vez mais fragmentado.




