Lançado no mercado brasileiro em 1964, o refrigerante Fanta logo se tornou um fenômeno. Segundo a The Coca-Cola Company, o Brasil é hoje o líder mundial em vendas do produto, que ocupa o posto de segundo refrigerante mais popular do país, perdendo apenas para a própria Coca-Cola. No entanto, por trás das cores vibrantes e do marketing alegre, a origem da bebida remete a um dos períodos mais sombrios da humanidade: o Terceiro Reich.
O impasse de Max Keith
A história começa em 1940. Com o avanço da Segunda Guerra Mundial e o embargo comercial imposto pelos Estados Unidos à Alemanha nazista, a subsidiária alemã da Coca-Cola, liderada por Max Keith, viu-se em um beco sem saída. O suprimento do “Xarope 7X” — a fórmula secreta vinda de Atlanta — foi cortado. Sem matéria-prima, as fábricas alemãs estavam fadadas ao fechamento.
Pragmático, Keith não queria deixar o negócio morrer. Ele ordenou que seus químicos criassem uma bebida alternativa usando apenas o que estava disponível em uma economia de guerra. O resultado foi uma mistura que Keith descreveu como “as sobras das sobras”: soro de leite (subproduto da fabricação de queijos) e fibra de maçã (restos da prensa de sidra).
Do “improviso” ao nome de impacto
O nome surgiu durante uma reunião de brainstorming. Keith pediu que sua equipe usasse a imaginação (Fantasie, em alemão). O vendedor Joe Knipp gritou imediatamente: “Fanta!”. O nome curto e fácil de pronunciar foi aprovado na hora.
Diferente da versão de laranja que conhecemos hoje, a Fanta original era um líquido amarronzado e de sabor indefinido. Devido ao rigoroso racionamento de açúcar na Alemanha, o refrigerante tornou-se tão essencial que as donas de casa alemãs o utilizavam como adoçante para sopas e ensopados, o que impulsionou as vendas para 3 milhões de caixas em 1943.
Atualizações: O legado de 2024 e 2025
Embora a Coca-Cola reforce que Max Keith nunca foi oficialmente membro do Partido Nazista, historiadores modernos apontam que ele colaborou ativamente com o regime para manter suas 43 fábricas operando. Relatórios recentes e pesquisas históricas (reiteradas em debates de 2024) destacam que a produção durante a guerra frequentemente utilizava mão de obra forçada de prisioneiros em território ocupado, uma mancha que a companhia tenta distanciar da marca atual.
Em 2024, a Fanta reafirmou sua força no mercado brasileiro com o lançamento de sabores sazonais, como a “Fanta Caju”, e a continuação da linha “Fanta Mistério” para o Halloween — que este ano trouxe uma versão verde neon inspirada no filme Beetlejuice.
A reinvenção italiana
A Fanta Laranja, tal como a consumimos, só nasceu em 1955, em Nápoles, na Itália. Após o fim da guerra, a Coca-Cola recuperou o controle da subsidiária alemã e, embora tenha descontinuado a fórmula original de “sobras”, decidiu reaproveitar o nome Fanta anos depois para competir com bebidas de frutas.
Hoje, a marca é um império de bilhões de dólares, presente em 190 países. O que começou como uma estratégia de sobrevivência em meio ao totalitarismo transformou-se em um símbolo global de diversidade de sabores, provando que a história, por vezes, tem um retrogosto muito mais complexo do que o produto final nas prateleiras.




