O Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, anunciou a criação de cinco forças-tarefa independentes com o objetivo de realizar uma ampla revisão estrutural em suas práticas e ferramentas de política monetária. Entre as principais lideranças internacionais escolhidas para capitanear os grupos de trabalho destaca-se o economista brasileiro Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central do Brasil e fundador da Gávea Investimentos. Fraga foi designado para o comitê dedicado a revisar as estratégias de comunicação da autarquia americana.
A iniciativa foi oficializada pelo presidente do Fed, Kevin Warsh, que justificou a formação dos grupos sob o argumento de que os Estados Unidos e a economia global passaram por transformações profundas na última geração. Os comitês atuarão de maneira totalmente autônoma, contando com o suporte da equipe técnica do banco central para analisar evidências e elaborar relatórios que serão posteriormente apresentados ao Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC).
Armínio Fraga integrará a força-tarefa de Comunicação ao lado de outros grandes nomes das finanças mundiais, como Mervyn King, ex-presidente do Banco da Inglaterra (BoE), e Peter R. Fisher, professor da Foster School of Business da Universidade de Washington. O comitê terá o papel de reavaliar como o Fed transmite suas decisões ao mercado financeiro e ao público em geral — um ponto que vem sendo intensamente debatido, especialmente diante das discussões sobre a eficácia de sinalizações futuras (forward guidance) e a quantidade de pronunciamentos públicos de seus diretores.
Além da área de comunicação, o plano de revisão estrutural de Kevin Warsh conta com outras quatro frentes de estudo específicas:
- Política de balanço patrimonial: focada nos custos, benefícios e impactos das operações do Fed, liderada por Raghuram Rajan (ex-presidente do banco central da Índia), Karen Dynan e Jeremy Stein (ambos de Harvard).
- Dados econômicos: que avaliará os indicadores que embasam as tomadas de decisão, sob os cuidados de Raj Chetty (Harvard), Kevin Murphy (Universidade de Chicago) e Doug McMillon (ex-CEO do Walmart).
- Marcos de inflação: dedicada a analisar os modelos de compreensão e repulsa à pressão inflacionária, liderada pelo Prêmio Nobel Thomas Sargent, Greg Mankiw (Harvard) e William White.
- Produtividade e mercado de trabalho: com o objetivo de mensurar os impactos de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, comandada por Marc Andreessen (da Andreessen Horowitz) e Asha Sharma (CEO da divisão Xbox da Microsoft).
O convite a Armínio Fraga reflete o prestígio internacional conquistado pelo economista ao longo de sua trajetória. Formado com doutorado pela Universidade de Princeton, ele presidiu o Banco Central do Brasil entre 1999 e 2003, período no qual consolidou o regime de metas para a inflação e administrou os desdobramentos da crise cambial brasileira de 1999, tornando-se uma referência em governança monetária e estabilização de crises.
Procurado pela imprensa após o anúncio de sua nomeação, Armínio Fraga declarou que manterá a discrição e que não irá se pronunciar publicamente sobre o andamento dos estudos até que o relatório final seja oficialmente concluído. A expectativa é que todas as cinco forças-tarefa entreguem suas conclusões e recomendações ao FOMC até o fim deste ano.
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