FELIPE Nunes e o raio-x do trabalhador: exaustão e fim da escala 6×1 devem dominar eleições de 2026
O sentimento de exaustão que toma conta dos lares brasileiros não é apenas uma percepção subjetiva, mas um dado estatístico que promete redesenhar o cenário político do país. Segundo o cientista político Felipe Nunes, sócio-fundador da Quaest, a insatisfação com a carga horária e o desejo por uma vida mais equilibrada serão os grandes motores do debate eleitoral em 2026.
As revelações fazem parte do livro “O Brasil no Espelho – Um guia para entender o Brasil e os brasileiros” (Globo Livros), lançado neste mês de dezembro de 2025. A obra é fruto de um levantamento massivo com 10 mil brasileiros, mapeando crenças, valores e, principalmente, as frustrações da população contemporânea.
O retrato do brasileiro exausto
Os dados colhidos por Nunes e sua equipe mostram que o brasileiro médio está no limite. Entre os principais achados, destacam-se:
- Sobrevivência financeira: Cerca de 84% dos brasileiros precisam de mais de um emprego para fechar as contas no fim do mês.
- A “Barreira dos 5 Salários”: O sentimento de cansaço extremo só começa a diminuir em famílias com renda superior a cinco salários mínimos. Abaixo disso, a rotina é marcada por insegurança e fadiga.
- Descrença e Punitivismo: O estudo revela um povo que, embora valorize a fé e a família, sente-se profundamente inseguro e tende a apoiar soluções punitivas como resposta ao medo constante.
Escala 6×1: O novo campo de batalha político
A discussão sobre o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) deixou de ser uma pauta de nicho para se tornar uma prioridade estratégica. Em Brasília, a movimentação é intensa neste final de 2025:
- Avanço no Legislativo: A PEC que propõe o fim da jornada 6×1 já ganhou tração na CCJ do Senado e na Comissão de Trabalho da Câmara, com previsões de implementação gradual até 2028.
- Estratégia do Governo: O governo Lula e o PT já sinalizaram que a redução da jornada sem redução salarial será a “vitrine” da campanha de reeleição em 2026.
- Pressão Popular: Para Nunes, a classe política que ignorar o desejo por flexibilidade e descanso terá dificuldade em se conectar com o eleitorado jovem e com a classe trabalhadora precarizada.
Os 9 perfis do Brasil atual
Além da questão trabalhista, Nunes identifica nove grupos identitários que fragmentam o país. Esses perfis vão desde o “Agro-Exportador”, focado em eficiência e mercado, até os “Conservadores Cristãos”, que pautam suas escolhas pela moralidade religiosa. Entender como esses grupos interagem com o tema do “tempo livre” será a chave para os marqueteiros políticos no próximo pleito.
O livro “O Brasil no Espelho” serve, portanto, como um aviso: o eleitor de 2026 não quer apenas promessas econômicas abstratas; ele quer, acima de tudo, tempo para viver.







