Em uma operação conjunta entre as polícias civis do Paraná e de São Paulo, Roberta Nogueira Tafner de Sousa, de 42 anos, e seu marido, Willians de Sousa, de 46, foram presos nesta segunda-feira (26) na região de fronteira, em Foz do Iguaçu. O casal, que estava foragido, foi condenado pelo assassinato brutal dos pais de Roberta, ocorrido em 2010, em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo.
O crime, motivado por uma disputa por uma herança estimada em R$ 60 milhões, chocou o país pela crueldade. As vítimas, a advogada Tereza Maria do Carmo Nogueira Cobra (60) e o empresário Wilson Roberto Tafner (64), foram mortos a facadas dentro de sua própria residência em um condomínio de luxo.
O desfecho de uma fuga
A detenção ocorreu através do Grupo de Diligências Especiais (GDE) da 6ª Subdivisão Policial de Foz do Iguaçu. Após a formalização da prisão, Roberta e Willians foram encaminhados à Cadeia Pública Laudemir Neves, onde aguardam a transferência para o sistema prisional de São Paulo para o cumprimento das penas.
Em agosto de 2023, o Tribunal do Júri de Barueri (SP) havia sentenciado Roberta a 49 anos e nove meses de reclusão, enquanto Willians recebeu uma pena de 42 anos e oito meses. Embora tivessem obtido o direito de recorrer em liberdade na época da sentença, a situação jurídica mudou com a expedição de novos mandados de prisão.
Relembre o caso
O duplo homicídio aconteceu entre os dias 1º e 2 de outubro de 2010. Na ocasião, a perícia técnica descartou a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte), pois nenhum objeto de valor foi levado da mansão. O que chamou a atenção dos investigadores foram vestígios de sangue encontrados no imóvel do próprio casal de acusados, que morava ao lado das vítimas, e evidências de que a cena do crime havia sido meticulosamente limpa para despistar a polícia.
A acusação sustentou que o crime foi planejado por Roberta e executado por Willians com o objetivo de antecipar o recebimento da herança, que incluía nove imóveis e seguros de vida. Um detalhe marcante do processo sucessório é que, com a morte do único irmão de Roberta em 2020 devido à Covid-19, ela se tornaria a única herdeira caso não fosse condenada. Com a manutenção da sentença, os bens deverão ser destinados aos herdeiros do irmão falecido.
Durante todo o processo, o casal negou envolvimento no crime, alegando inocência e criticando a condução das investigações. Entretanto, as provas técnicas e os depoimentos colhidos ao longo de mais de uma década foram cruciais para a condenação por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas).




