Reconhecida no mercado editorial por sua trajetória como mentora e fundadora da pós-graduação em Escrita Criativa da Casa Educação, Flávia Iriarte faz agora o caminho inverso ao de seus alunos. Após uma década e meia dedicada a lapidar a voz de novos autores, a escritora apresenta ao público Instruções para desaparecer devagar, seu mais novo romance que mergulha nas profundezas da psique feminina diante de contextos de opressão.
A obra não é apenas um exercício de ficção, mas o resultado de uma imersão pessoal. O ponto de partida foi uma experiência vivida por Iriarte no Camboja, país marcado por um histórico de violência política e social. A partir dessa vivência, a autora tece uma narrativa que investiga como traumas e desigualdades moldam a transição para a vida adulta das mulheres, muitas vezes forçadas a estratégias de invisibilidade para sobreviver.
O peso da bagagem literária e a nova obra
Publicado pela editora Reformatório, o livro surge em um momento de consolidação da carreira de Flávia, que já foi finalista de prêmios como o Jabuti com obras infantojuvenis. Em Instruções para desaparecer devagar, o tom muda: a escrita é densa, psicológica e foca no “desaparecimento” como metáfora para a perda de identidade diante do medo.
Os eixos centrais da narrativa incluem:
- A violência sistêmica: Como o ambiente externo dita as regras do corpo feminino.
- O trauma geográfico: A influência das paisagens (como o sudeste asiático) na construção da memória.
- A desigualdade social: O abismo entre o observar e o viver a dor alheia.
“Escrever este livro foi lidar com as sombras que a gente tenta esconder, mas que acabam definindo quem somos no mundo”, comenta a autora sobre o processo de criação que levou anos para ser maturado.
Novidades e repercussão no cenário atual
No cenário literário de 2026, Flávia Iriarte tem se destacado não apenas pela obra em si, mas pelo debate que propõe sobre a autoficção e a ética do olhar estrangeiro. Em eventos recentes, como a FLIP e festivais literários internacionais, a discussão sobre como autores ocidentais retratam traumas de nações do Sul Global ganhou força, e o livro de Iriarte é citado como um exemplo de abordagem sensível e autocrítica.
Além disso, a autora continua sua missão pedagógica. Paralelamente ao lançamento, ela tem promovido oficinas de “escrita de si”, ajudando outras mulheres a transformarem traumas em potência narrativa, reforçando que o ato de escrever é, muitas vezes, o oposto de desaparecer.




