A disputa pela sucessão da direita nas eleições de 2026 ganhou novos contornos nesta semana com uma troca de mensagens públicas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O embate silencioso, mas evidente, expõe as fissuras no clã bolsonarista e as dúvidas sobre quem herdará o espólio político de Jair Bolsonaro, atualmente preso e inelegível.
O estopim: o vídeo de Tarcísio e o “novo CEO”
A tensão escalou após Michelle Bolsonaro publicar em suas redes sociais um vídeo com um discurso do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), focado em críticas econômicas ao governo Lula.
O movimento foi interpretado como um apoio implícito à candidatura de Tarcísio ao Palácio do Planalto, especialmente após Michelle curtir um comentário da primeira-dama paulista, Cristiane Freitas, que sugeria o marido como um “novo CEO para o Brasil”.
A resposta de Flávio: “Nunca rodei o Brasil por isso”
Em resposta direta aos questionamentos sobre as ambições de Michelle e a sinalização dela em favor de Tarcísio, Flávio Bolsonaro utilizou uma retórica de “missão recebida” para marcar território. O senador afirmou ao portal UOL:
”Eu nunca procurei, não rodei o Brasil por isso. Não corri atrás disso. Tem uma situação concreta: sou o pré-candidato indicado pelo presidente Bolsonaro. E não vai ter outra possibilidade.”
A declaração é vista como uma indireta a Michelle, que tem intensificado viagens pelo país através do PL Mulher, consolidando-se como um dos nomes mais populares do partido. Flávio reforçou que sua candidatura é “um caminho sem volta” e que não vê sentido em Michelle figurar como vice em outra chapa, classificando a ideia como um “desperdício”.
O cenário para 2026: Pesquisas e alianças
Apesar da indicação oficial de Jair Bolsonaro — confirmada em carta de próprio punho em dezembro de 2025 — o nome de Flávio enfrenta resistência:
- Desempenho Eleitoral: Pesquisas recentes indicam que Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro possuem maior competitividade contra o presidente Lula do que o próprio Flávio.
- O “Fator Papuda”: Com Jair Bolsonaro detido, a articulação política da direita tornou-se mais fragmentada. Setores do Centrão e do mercado financeiro demonstram clara preferência pela tecnocracia de Tarcísio em detrimento do herdeiro político direto.
- Divisão Interna: Aliados de Michelle já se referem ironicamente aos filhos do ex-presidente como “cabeças de bagre”, evidenciando que a unidade familiar está longe de ser um consenso estratégico.
A situação coloca o PL em uma encruzilhada: manter a lealdade ao “sangue” de Bolsonaro ou apostar na viabilidade eleitoral de Tarcísio, que, embora discreto, continua a ser impulsionado por setores da própria família do ex-presidente.




