O Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio do núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ofereceu denúncia criminal contra três empresários do ramo esportivo envolvidos na chamada Operação Derby. O grupo é acusado de associação criminosa e corrupção desportiva após tentar manipular eventos de uma partida oficial de futebol para favorecer apostas ilegais.
O esquema de aliciamento
As investigações apontam que os denunciados tentaram aliciar jogadores do Londrina Esporte Clube (LEC) durante o Campeonato Brasileiro da Série C de 2025. O objetivo era garantir que atletas específicos recebessem cartões amarelos nos primeiros 27 minutos da partida contra o Maringá Futebol Clube, realizada em 26 de abril de 2025.
Em troca do “serviço”, os empresários ofereceram a quantia de R$ 15 mil para cada jogador que aceitasse participar da fraude. De acordo com o Gaeco, os contatos foram feitos via mensagens de aplicativo, onde os criminosos detalhavam como os atletas deveriam forçar as punições em campo.
Protagonismo dos atletas na denúncia
Diferente de outros casos de manipulação, os jogadores do Londrina recusaram prontamente as ofertas e reportaram o assédio à diretoria do clube e às autoridades. “Eu jogo por amor e não por dinheiro. Jamais mancharia minha carreira”, teria respondido um dos atletas ao recusar a proposta, segundo registros da investigação.
A postura dos jogadores foi fundamental para o início da Operação Derby, deflagrada em setembro de 2025 com mandados de busca e apreensão em Salvador (BA) e Itapema (SC).
Os envolvidos e as penalidades
Entre os denunciados estão os empresários Igor Gutierrez Freitas (identificado como filho do ex-boxeador Popó Freitas) e Rodrigo Rossi Calamo. Além da condenação criminal pelos crimes previstos na Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.587/2023), o Ministério Público requer o pagamento de uma indenização de R$ 150 mil por danos morais coletivos, devido ao prejuízo causado à integridade e à incerteza do resultado esportivo.
Se condenados, os réus podem enfrentar penas de reclusão que variam de dois a seis anos, além de multas. O processo segue agora na Justiça Criminal de Londrina (autos nº 0038933-08.2025.8.16.0014).
Novidades recentes: Com o oferecimento da denúncia nesta semana (fevereiro de 2026), o caso entra em fase judicial, onde os réus terão prazo para apresentar defesa. O MPPR reforça que o combate a grupos que utilizam as “bets” (casas de apostas) para cometer crimes é uma prioridade para garantir a lisura do esporte nacional.




