Ao completar 125 anos de história em 2026, a Gerdau, maior empresa brasileira produtora de aço, encontra-se em um momento de celebração e, simultaneamente, diante de uma “prova de fogo” estratégica. Em entrevista exclusiva à EXAME, o CEO Gustavo Werneck detalhou como a companhia pretende navegar em um cenário de concorrência global acirrada, especialmente com a entrada massiva de aço chinês no mercado brasileiro, enquanto acelera aportes bilionários em tecnologia e ESG.
O plano de R$ 6 bilhões e o foco em sustentabilidade
Para o biênio 2024-2025, a Gerdau reafirmou um robusto plano de investimentos. Somente para 2025, a estimativa de Capex (investimentos em capital) gira em torno de R$ 6 bilhões. O foco está dividido entre a manutenção da competitividade operacional e a aceleração da agenda sustentável.
Werneck destaca que a descarbonização não é mais um objetivo distante, mas uma métrica de eficiência presente. A empresa vem investindo na modernização de suas usinas de “mini-mills” (que utilizam sucata metálica, emitindo menos CO2) e na expansão de suas florestas renováveis para a produção de biorredutores. Recentemente, a companhia foi reconhecida como campeã no prêmio “Melhores do ESG 2025” da EXAME, consolidando sua liderança no setor de siderurgia e mineração.
Inteligência Artificial: da teoria ao chão de fábrica
A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma promessa tecnológica para se tornar um pilar de produtividade nas usinas da Gerdau. Segundo o CEO, a IA está sendo aplicada para:
- Manutenção Preditiva: Reduzindo o tempo de parada de máquinas e evitando falhas críticas.
- Otimização Logística: Melhorando a distribuição de produtos em escala global.
- Segurança do Trabalho: Monitoramento em tempo real para prevenir acidentes em áreas de risco.
”Em 2025, teremos muito foco no suporte da IA voltada para a captura de produtividade e performance”, afirmou Werneck, reforçando que a inovação digital é o que permitirá à gigante manter margens saudáveis mesmo em ciclos de baixa das commodities.
A ‘prova de fogo’ no mercado doméstico
Apesar do otimismo com a tecnologia, o tom de Werneck é de alerta quando o assunto é a defesa comercial do Brasil. O executivo aponta que o país vive um momento crítico com a “competição desigual” do aço importado, muitas vezes subsidiado por governos estrangeiros.
Atualmente, mais de 30% do aço consumido no Brasil é importado, o que pressiona os resultados da operação brasileira — que registrou queda no lucro no terceiro trimestre de 2025 devido ao aumento de custos e à saturação do mercado interno. Essa realidade tem levado a Gerdau a olhar com ainda mais carinho para sua operação na América do Norte, que hoje já responde por mais de 60% da geração de caixa do grupo, beneficiando-se de um ambiente de negócios mais previsível e protegido.
Liderança premiada
O desempenho de Gustavo Werneck à frente da companhia tem sido amplamente reconhecido pelo mercado. No final de 2025, ele foi eleito, pelo quinto ano consecutivo, como um dos vencedores do prêmio “Líderes do Brasil”, refletindo a confiança de investidores e pares na sua gestão focada em resiliência e transformação digital.
Com 125 anos, a Gerdau tenta provar que a longevidade no setor industrial depende da capacidade de se reinventar mais rápido do que o mercado, transformando o aço — uma commodity milenar — em um produto de alto valor tecnológico e baixo impacto ambiental.




