Gestão de Enio Verri na Itaipu Binacional amplia repasses para organizações sociais sob críticas de uso eleitoral

O lançamento de um novo edital de R$ 100 milhões pela Itaipu Binacional em janeiro de 2026, focado em organizações da sociedade civil, intensificou o debate sobre a finalidade dos recursos da usina e o impacto político dessas ações em um ano de eleições gerais. Sob a gestão de Enio Verri, ex-deputado federal pelo PT, a binacional consolidou uma estratégia de pulverização de investimentos que já atinge 434 municípios no Paraná e Mato Grosso do Sul, gerando questionamentos de opositores sobre a construção de uma “máquina de palanques” regionais.

O novo edital e a capilaridade regional

O Edital nº 01/2026, detalhado em janeiro deste ano, destina recursos a projetos voltados a populações vulneráveis, como catadores de recicláveis, mulheres, comunidades indígenas e agricultores familiares. Com a gestão financeira operada pela Caixa Econômica Federal, a iniciativa é o novo pilar do programa Itaipu Mais que Energia.

Embora a diretoria da usina defenda que os investimentos são técnicos e visam a segurança hídrica — ao evitar o assoreamento do reservatório por meio de ações ambientais nos municípios —, críticos apontam que a distribuição agressiva de verbas cria uma rede de dependência política.

  • Alcance: A área de atuação foi ampliada de 54 para 434 municípios.
  • Recursos: Somente em 2025, o programa movimentou cerca de R$ 931,5 milhões.
  • Fiscalização: Por ser uma entidade binacional, a Itaipu não se submete à fiscalização direta do Tribunal de Contas da União (TCU), o que, segundo especialistas, reduz os freios institucionais sobre o uso do orçamento.

O contexto político e as eleições de 2026

A permanência de Enio Verri no cargo foi confirmada pelo próprio diretor-geral no final de janeiro. Apesar de cotado para disputar o Governo do Paraná ou o Senado, Verri afirmou que atenderá a um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para seguir à frente da usina, descartando candidatura própria.

No entanto, analistas políticos destacam que o papel de Itaipu vai além da geração de energia:

  1. Fortalecimento de Aliados: Os repasses diretos a prefeituras e entidades sociais fortalecem a imagem do governo federal em estados onde o PT enfrenta resistência eleitoral.
  2. Tarifa de Energia: A oposição critica o fato de que, após a quitação da dívida histórica da construção da usina em 2023, o alívio financeiro não se traduziu em uma redução drástica nas contas de luz para o consumidor, sendo redirecionado para projetos sociais de “visibilidade política”.
  3. Proposta de CPI: No Congresso, movimentações recentes tentam emplacar uma CPI para investigar os repasses da usina, citando gastos fora da missão institucional, como patrocínios a festivais e convênios vinculados à COP30.

O outro lado: Desenvolvimento e sustentabilidade

Em audiências públicas na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Enio Verri tem defendido a transparência dos atos e o cumprimento da missão social estabelecida desde 2005. Segundo a gestão, os investimentos em saneamento, estradas rurais e energia renovável são “absolutamente fiscalizáveis” e fundamentais para a preservação do reservatório, garantindo a longevidade da usina.

Recentemente, a Itaipu também anunciou investimentos de R$ 1,5 bilhão para promover a modicidade tarifária em 2026, tentando equilibrar as críticas sobre o custo da energia com sua agenda de investimentos socioambientais.

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