Brasil

GOVERNO, Aneel e Enel travam disputa jurídica por concessão em São Paulo

​A crise energética que castiga a Região Metropolitana de São Paulo atingiu seu ápice político e institucional neste mês de dezembro de 2025. Após uma sequência de apagões que deixaram milhões de consumidores no escuro, formou-se uma frente inédita: o Governo Federal, o Governo de São Paulo e a Prefeitura da Capital unificaram o discurso para exigir a caducidade (cancelamento) do contrato da Enel Distribuição São Paulo.

​Apesar da pressão coordenada entre o ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia), o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes, o desfecho do caso ainda enfrenta um labirinto regulatório e jurídico que pode se arrastar por meses ou anos.

​O status do processo na Aneel

​A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é o órgão que detém o poder técnico de recomendar a extinção do contrato. Em uma tentativa de acelerar a resposta à crise, a agência decidiu aproveitar um processo administrativo já aberto em outubro de 2024 para incorporar as falhas recentes de dezembro de 2025.

A estratégia de “unificar” os processos visa dar celeridade, mas a Enel já sinalizou que utilizará todos os recursos judiciais disponíveis para contestar as multas e a própria recomendação de caducidade, alegando que os eventos climáticos (ventos de 100 km/h) foram extraordinários.

​A estratégia de defesa da Enel

​Ciente do risco iminente de perder a operação no maior mercado do país, a Enel mudou sua postura pública. Em comunicados recentes, a concessionária:

  • ​Prometeu enterrar parte da fiação na capital paulista, uma demanda histórica da prefeitura.
  • ​Anunciou um plano de investimentos de R$ 10,4 bilhões até 2027.
  • ​Negou qualquer intenção de abandonar a concessão voluntariamente, defendendo que cumpre os indicadores de qualidade exigidos pela agência reguladora.

​Por que o fim da concessão é difícil?

​Embora o governador Tarcísio de Freitas classifique a renovação do contrato (previsto para vencer em 2028) como um “deboche”, o caminho para a saída antecipada da empresa esbarra em:

  1. Devido Processo Legal: A Aneel precisa provar tecnicamente a “incapacidade gerencial” da empresa, o que é frequentemente derrubado por liminares na Justiça.
  2. Complexidade de Transição: Se a caducidade for decretada, o Governo Federal precisaria assumir a operação (intervenção) ou realizar um leilão de emergência, o que traz riscos de instabilidade no serviço durante a troca.
  3. Diplomacia e Economia: O caso já ganhou contornos internacionais, com o governo da Itália acompanhando de perto a situação da multinacional.

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