BRASÍLIA – O governo federal oficializou nesta semana a publicação do sumário executivo do Plano Clima, um documento estratégico de 90 páginas que estabelece as diretrizes para a política climática brasileira até 2035. Sob a liderança do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, comandado por Marina Silva, e da Casa Civil, sob Rui Costa, o guia busca consolidar o caminho para que o Brasil cumpra suas metas internacionais e lidere a transição para uma economia de baixo carbono.
Um mapa para a descarbonização
Aprovado pelo Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM) em dezembro de 2025, o plano surge como um “mapa do caminho” para reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa em até 67% até 2035, em conformidade com o Acordo de Paris. O texto divide as ações em dois pilares centrais:
- Mitigação: Foco na redução de emissões em sete setores cruciais, incluindo energia, indústria, transportes e agropecuária.
- Adaptação: Estratégias para tornar as cidades, a infraestrutura e os sistemas produtivos mais resilientes aos eventos climáticos extremos, como secas e inundações.
Novidades e Transição Justa
Entre as principais novidades integradas ao documento final estão as chamadas Estratégias Transversais. O governo incluiu mecanismos para garantir uma “transição justa”, assegurando que o custo da descarbonização não recaia sobre as populações mais vulneráveis. Além disso, o plano prevê novos instrumentos de financiamento climático para atrair investimentos privados em tecnologias limpas e inovação tecnológica.
Um ponto de destaque é o compromisso com a recuperação de resíduos sólidos — com a meta de encerrar todos os lixões do país — e a descarbonização dos modais de transporte, incentivando a eletrificação de frotas e o uso de biocombustíveis.
Repercussões e Desafios
Embora o governo celebre a publicação como um marco decisivo após 17 anos da primeira edição do plano, o documento já enfrenta críticas de entidades do setor ambiental. Organizações como o Observatório do Clima classificaram o texto como “tímido” em relação à exploração de combustíveis fósseis, apontando que a ausência de um cronograma claro para a redução da produção de petróleo pode comprometer as metas de longo prazo.
Para o ministro Rui Costa, a publicação representa a maturidade da governança climática no Brasil, oferecendo previsibilidade para o mercado e segurança para a implementação de políticas públicas. As estratégias transversais de justiça climática e igualdade de gênero devem ser detalhadas e finalizadas ainda no primeiro semestre de 2026, consolidando o Brasil como um dos protagonistas da agenda ambiental global rumo à COP30.




