O Palácio do Planalto reagiu com forte preocupação à operação militar conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela no último sábado (3), que resultou na captura de Nicolás Maduro. Para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a ofensiva liderada por Donald Trump sinaliza uma “desordem global” e ignora as instituições multilaterais. Além das implicações diplomáticas, o entorno do presidente brasileiro avalia que a crise foi calculada por Trump para favorecer interesses econômicos e pode virar uma arma eleitoral contra o PT no Brasil em 2026.
Ofensiva militar e o “fator petróleo”
A operação norte-americana contou com o uso de helicópteros e bombardeiros para neutralizar defesas venezuelanas e capturar Maduro, agora detido em Nova York. Em suas primeiras declarações, Trump não apenas confirmou a ação como enfatizou o interesse direto nas reservas de petróleo do país vizinho, afirmando que empresas dos EUA iriam “reconstruir o sistema” e que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração local.
O governo brasileiro vê nessa postura uma confirmação de que a motivação vai além da retórica democrática. Integrantes do Itamaraty classificam a ação como uma violação da soberania e um desmonte do sistema da ONU. O Brasil, em conjunto com outros cinco países, emitiu nota condenando o ataque e defendendo a via diplomática.
Monitoramento da fronteira e riscos humanitários
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, informou que as fronteiras em Roraima seguem abertas, mas o Exército reforçou o monitoramento em Pacaraima. O receio é de que a instabilidade política gere um novo êxodo migratório em massa, pressionando os serviços públicos brasileiros e criando um cenário de crise humanitária que Trump poderia explorar para desgastar governos de esquerda na região.
O reflexo na eleição brasileira de 2026
No plano interno, o Planalto trabalha para desvincular a imagem de Lula da de Maduro, prevendo que a oposição utilizará a queda do líder venezuelano para atacar o PT. A estratégia traçada pela Secretaria de Comunicação foca em:
- Defesa da Soberania: Manter o discurso focado no Direito Internacional, evitando a defesa pessoal de Maduro.
- Prudência com Trump: Evitar um embate direto e pessoal com o republicano, visando preservar as relações comerciais.
- Controle de Narrativa: Impedir que a “queda de um aliado” seja o tema central da campanha presidencial de 2026, focando em entregas econômicas domésticas.
Atualmente, o Brasil reconhece a vice-presidente Delcy Rodríguez como autoridade interina, enquanto Trump já sinalizou que ela deve “cooperar” para evitar novas incursões.







