GOVERNO Lula e Congresso articulam aprovação do fim da escala 6×1 como trunfo para as eleições de 2026
Em um movimento estratégico para consolidar apoio popular antes da corrida eleitoral de outubro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o fim da escala de trabalho 6×1 ao topo de sua agenda prioritária para 2026. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, reafirmou nesta semana que a aprovação da medida é “plenamente possível” ainda este ano, sinalizando que o Palácio do Planalto pretende transformar a redução da jornada em uma de suas principais bandeiras de campanha.
A proposta, que ganhou tração após a mobilização nacional liderada pelo vereador eleito Rick Azevedo (fundador do movimento VAT – Vida Além do Trabalho) e pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), propõe a extinção do modelo em que o trabalhador tem apenas um dia de folga para cada seis trabalhados. No Senado, o tema avançou com rapidez na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sob a relatoria do senador Paulo Paim (PT-RS).
O cenário político e as negociações
A estratégia governista foca em um ponto sensível para o Legislativo: a pressão das urnas. Lideranças do PT e parlamentares da base aliada avaliam que, em ano eleitoral, deputados e senadores terão dificuldade em votar contra uma medida que possui aprovação de mais de 65% da população, segundo pesquisas recentes.
- Proposta Gradual: Para vencer a resistência do setor empresarial e de partidos de centro, o governo defende uma transição “pé no chão”. A ideia central é reduzir a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais de imediato, com um cronograma para chegar às 36 horas nos anos seguintes.
- Articulação na Câmara: O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), incluiu a redução da jornada em uma lista de oito prioridades para o primeiro semestre, buscando um consenso com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Desafios e resistências no setor produtivo
Apesar do otimismo político, o projeto enfrenta críticas severas de entidades patronais e setores como o varejo e serviços. O principal argumento é o aumento dos custos operacionais, que poderia gerar inflação ou demissões.
”Não será uma mudança ‘numa tacada só’. Precisamos de previsibilidade e equilíbrio econômico”, afirmou Luiz Marinho, tentando tranquilizar o mercado financeiro e os empresários.
O que esperar dos próximos meses?
Com a retomada dos trabalhos legislativos em fevereiro, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) deve dominar os debates. O governo espera que as manifestações de rua, previstas para o Dia do Trabalhador (1º de maio), sirvam como o empurrão final para que o texto seja votado antes do recesso de julho, evitando que o tema fique “congelado” pelo período oficial de propaganda eleitoral.
Para os analistas, o sucesso da medida dependerá da capacidade do Planalto em oferecer contrapartidas fiscais ou desonerações pontuais para os setores mais afetados pela mudança na escala.







