GOVERNO Ratinho Jr. e PT travam embate sobre áudios da Sanepar em meio a denúncias de caixa dois
O cenário político paranaense encerra o ano de 2025 sob forte tensão entre o Palácio Iguaçu e a oposição. O governo de Ratinho Júnior (PSD) classificou como “pauta velha e sem fato novo” a recente ofensiva do Partido dos Trabalhadores (PT), que trouxe à tona áudios antigos envolvendo a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). A polêmica, que ganhou novos contornos nesta última semana de dezembro, gira em torno de supostos esquemas para cobrir dívidas de campanha eleitoral.
O centro da polêmica: áudios e denúncias
A controvérsia ressurgiu após deputados da oposição anunciarem que pretendem acionar a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e órgãos de controle para investigar diálogos gravados que sugeririam um esquema de corrupção e “caixa dois”. Segundo os denunciantes, os recursos teriam como objetivo quitar débitos remanescentes de campanhas passadas do atual governador.
Em resposta oficial, a gestão estadual foi enfática ao afirmar que o PT está “ressuscitando” um tema já superado. De acordo com o governo, os envolvidos citados nas gravações foram demitidos por justa causa ainda na época dos fatos e já respondem a processos judiciais. O Executivo argumenta que não há elementos inéditos que justifiquem a reabertura do debate, tratando o movimento como uma manobra política para desgastar a imagem de Ratinho Júnior, que tem sido ventilado como um dos nomes fortes para a sucessão presidencial em 2026.
Silêncio e cobranças
Apesar da nota oficial do governo, pontos específicos da denúncia permanecem sem resposta detalhada. O atual secretário Guto Silva, citado nos áudios, não se manifestou diretamente sobre o conteúdo das gravações. A assessoria do governo limitou-se a pedir que as informações não sejam tratadas como fatos consumados antes de uma decisão definitiva do Poder Judiciário.
Do outro lado, o presidente estadual do PT, Arilson Chiorato, afirma que as denúncias são “estarrecedoras” e que o partido busca transparência total. “Queremos saber o que diz o Ministério Público, a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral”, declarou o parlamentar, reforçando que o caso precisa ser apurado sob a ótica de possíveis crimes contra o mercado de capitais, dada a natureza de economia mista da Sanepar.
Sanepar: entre o investimento e o receio da privatização
Enquanto o embate político ferve, a Sanepar segue em um momento de transição operacional. Recentemente, a companhia anunciou um plano de investimentos de R$ 13 bilhões para acelerar a universalização do saneamento até 2028, incluindo Parcerias Público-Privadas (PPPs) já em execução com grupos internacionais, como a espanhola Acciona.
Contudo, a oposição e sindicatos como o Sindael e o Staemcp mantêm o alerta ligado contra o que chamam de “privatização velada”. Embora o governador tenha negado repetidamente a intenção de vender a totalidade da empresa — seguindo o modelo aplicado à Copel —, o mercado e os trabalhadores observam com cautela o avanço das concessões de lotes de serviços.
Contexto
O embate ocorre em um momento estratégico:
- Gestão: O governo foca na entrega de obras de saneamento no litoral e na região metropolitana de Curitiba (como o Reservatório do Miringuava).
- Política: A polarização com o PT se intensifica à medida que o calendário eleitoral de 2026 se aproxima, com Ratinho Júnior consolidando sua posição no cenário nacional.
O caso agora aguarda os próximos passos das instâncias de fiscalização, enquanto o governo tenta virar a página para focar na agenda de infraestrutura e serviços do estado para 2026.







