GOVERNO Ratinho Júnior é alvo de críticas por política de “aprovação automática” em escolas do Paraná
A gestão educacional do governador Ratinho Júnior (PSD) enfrenta uma nova onda de questionamentos vindos diretamente do “chão da escola”. Professores da rede estadual têm manifestado preocupação com as diretrizes de progressão escolar, classificando-as como um mecanismo que prioriza estatísticas de fluxo em detrimento do aprendizado real.
“A política de aprovação automática do governo Ratinho Júnior é criminosa, nega o direito à aprendizagem, caracteriza abandono intelectual”, afirma categoricamente Sebastião Donizete Santarosa, professor de uma escola estadual na Grande Curitiba. Para o educador, a flexibilização excessiva nos critérios de nota e frequência retira do aluno a necessidade de superação pedagógica e desvaloriza o papel do docente no processo de avaliação.
Os pontos centrais da polêmica
O debate gira em torno das normativas que permitem a progressão parcial (ou o avanço de série) mesmo quando o estudante não atinge a média mínima ou a frequência obrigatória em diversos componentes curriculares. Recentemente, discussões sobre novas regras para 2025 indicam que estudantes podem avançar de série mesmo reprovando em até quatro matérias, desde que distribuídas em áreas específicas do conhecimento.
Argumentos da Categoria:
- Abandono Intelectual: Críticos afirmam que, ao “empurrar” o aluno para a série seguinte sem os pré-requisitos necessários, o Estado mascara o analfabetismo funcional e a falta de base acadêmica.
- Maquiagem de Dados: Há uma denúncia latente de que essas medidas visam apenas elevar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de forma artificial, reduzindo as taxas de evasão e repetência no papel.
- Pressão sobre Profissionais: Professores relatam pressão dos Núcleos Regionais de Educação (NREs) para que as notas sejam revisadas e as faltas “abonadas” por meio de tarefas simplificadas.
A posição do Governo do Estado
Por outro lado, a Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) defende que o modelo não é de “aprovação automática”, mas sim de fortalecimento do fluxo escolar. O governo argumenta que a retenção (reprovação) é um dos principais fatores que levam ao abandono escolar definitivo, especialmente no Ensino Médio.
De acordo com o planejamento estratégico da Seed para 2025, o foco está na recomposição da aprendizagem por meio de plataformas digitais e aulas de reforço. O governo sustenta que o Paraná ocupa posições de destaque nos rankings nacionais de educação justamente por manter os alunos dentro da sala de aula e utilizar dados em tempo real para monitorar o desempenho.
O cenário para 2026
Com a proximidade do novo ano letivo, a tensão entre o sindicato (APP-Sindicato) e o governo continua alta. Enquanto a gestão Ratinho Júnior aposta na modernização tecnológica e em índices de produtividade, educadores como Santarosa alertam para o risco de uma geração “formada” sem o conhecimento básico necessário para o mercado de trabalho ou para o ingresso no ensino superior.







