Governo Trump e farmacêuticas fecham acordo histórico para baratear Wegovy e Zepbound

A administração de Donald Trump consolidou, no início de 2026, um dos movimentos mais significativos para a saúde pública dos Estados Unidos: a redução drástica nos preços das “canetas emagrecedoras” e o lançamento da plataforma TrumpRx. O acordo firmado com as gigantes Eli Lilly e Novo Nordisk não apenas reduz o custo direto para os pacientes americanos, mas também pressiona o mercado global e acende o debate sobre a acessibilidade desses tratamentos no Brasil.

O novo cenário de preços nos EUA

Após meses de negociações sob a política de “Nação Mais Favorecida”, o governo dos EUA garantiu que medicamentos como o Wegovy (semaglutida) e o Zepbound (tirzepatida) tivessem seus valores reduzidos de patamares que superavam US$ 1.000 para faixas muito mais acessíveis.

A partir deste mês de janeiro de 2026, os novos valores começam a vigorar através de diferentes canais:

  • TrumpRx (Venda Direta): Através da nova plataforma governamental, os pacientes podem adquirir as versões injetáveis por valores entre US$ 245 e US$ 350 mensais.
  • Versões Orais: A grande novidade é a chegada das pílulas para emagrecimento. A Novo Nordisk lançou a versão oral do Wegovy com preços iniciais de US$ 149 para doses mais baixas, visando competir diretamente com as fórmulas manipuladas.
  • Medicare e Medicaid: Pela primeira vez, o Medicare passou a cobrir esses medicamentos especificamente para o tratamento da obesidade, com coparticipação dos beneficiários limitada a US$ 50 por mês.

Impacto no Brasil: Patentes e Genéricos

Enquanto os EUA utilizam o poder de negociação governamental, o Brasil se prepara para uma mudança estrutural por vias jurídicas. A patente da semaglutida (substância do Ozempic e Wegovy) tem previsão de expirar em março de 2026 no território brasileiro.

Analistas do setor farmacêutico preveem que o fim da exclusividade da Novo Nordisk no Brasil resultará em:

  1. Queda nos preços: A chegada de genéricos e similares pode reduzir o custo do tratamento em até 50%.
  2. Expansão do mercado: Estima-se que o mercado de medicamentos para perda de peso no Brasil, que movimentou cerca de R$ 11 bilhões em 2023, possa dobrar de tamanho com a democratização do acesso.
  3. Pressão nos Planos de Saúde: Assim como nos EUA, as operadoras brasileiras enfrentam uma demanda crescente para incluir esses fármacos em suas coberturas preventivas, visando reduzir custos futuros com complicações da obesidade (diabetes, hipertensão e problemas cardíacos).

Contexto: A estratégia de Trump envolveu uma troca: as farmacêuticas reduziram os preços em troca de uma expansão na base de clientes (via Medicare) e alívios tarifários para a importação de insumos.

Desafios globais e concorrência

A disputa entre as fabricantes se intensificou em 2026. A Eli Lilly aguarda para os próximos meses a aprovação de sua própria pílula, o orforglipron, que promete ser um divisor de águas por não exigir refrigeração e ter custos logísticos reduzidos.

Apesar da euforia com os novos preços, especialistas alertam que a “guerra dos preços” ainda deixa de fora muitos pacientes que dependem de seguros privados que ainda não aderiram aos novos modelos de desconto. Além disso, a produção em massa para atender à demanda global continua sendo o principal gargalo logístico das companhias.

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