A corrida pelo Palácio Iguaçu em 2026 começou a ganhar contornos de rivalidade explícita dentro do campo da direita paranaense. O Secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), apontado como o provável sucessor do governador Ratinho Júnior, intensificou seus movimentos políticos com um duplo objetivo: atrair o espólio político da Lava Jato personificado em Deltan Dallagnol e isolar o senador Sergio Moro (União Brasil), que lidera as pesquisas de intenção de voto.
A estratégia do “herdeiro” da Lava Jato
Guto Silva tem buscado uma aproximação estratégica com Deltan Dallagnol (Novo). O ex-procurador, embora impedido de disputar cargos eletivos no momento devido à sua cassação, permanece como um dos maiores cabos eleitorais do estado, detendo um capital político que Guto deseja herdar para consolidar sua base conservadora.
O aceno a Deltan serve para preencher o vácuo deixado por Moro, que, apesar de popular, enfrenta resistências internas no próprio partido e uma relação oscilante com a base governista estadual. Ao trazer Dallagnol para perto, Guto tenta se apresentar como a face “confiável” e “fiel” da direita que apoia o legado de combate à corrupção, mas sem as arestas políticas que Moro carrega.
Provocação a Sergio Moro
A provocação ao ex-juiz Sergio Moro não é apenas retórica, mas baseada em números e alianças. Enquanto Moro aparece com 38% das intenções de voto (segundo a pesquisa Quaest de agosto de 2025), Guto Silva vem registrando um crescimento acelerado, saltando de 3,9% para 14% em levantamentos mais recentes, como o do instituto Real Time Big Data no fim de 2025.
A provocação central reside na tentativa de “escantear” Moro do grupo de apoio de Ratinho Júnior. Nos bastidores, Guto e seus aliados reforçam a tese de que Moro é um “projeto isolado”, enquanto a candidatura do Secretário das Cidades representaria a continuidade administrativa de um governo que ostenta mais de 80% de aprovação.
O fator Ratinho Júnior
O governador Ratinho Júnior desempenha o papel de fiel da balança. Recentemente, ele indicou que pode abrir mão de uma candidatura à Presidência da República para focar em garantir que o Paraná não caia em mãos adversárias ou de aliados “instáveis”. Essa decisão fortalece Guto Silva, que passa a ser o “poste iluminado” do Palácio Iguaçu, possivelmente em uma chapa composta com o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, como vice ou candidato ao Senado.
”A disputa no Paraná não é apenas sobre quem ganha, mas sobre quem detém o controle do discurso da direita para as próximas décadas”, afirma a análise de bastidor.
O movimento de Guto Silva ao provocar Moro e “abraçar” Deltan sinaliza que a eleição de 2026 será decidida nos detalhes das alianças e na capacidade de cada candidato em provar lealdade aos valores conservadores do estado, ao mesmo tempo em que garantem a estabilidade administrativa.




