IA   analisa padrões de sono para prever risco de 130 doenças

Uma nova fronteira da medicina preventiva acaba de ser aberta pelo cruzamento de inteligência artificial e medicina do sono. Pesquisadores da Google Health, em parceria com instituições acadêmicas, desenvolveram um modelo de IA capaz de identificar sinais precoces de até 130 doenças diferentes a partir da análise de apenas uma noite de monitoramento de sono.

​O estudo, que utiliza dados de dispositivos vestíveis (wearables) e polissonografias, sugere que a maneira como dormimos é um “biomarcador” muito mais rico do que se imaginava, funcionando como um espelho da nossa saúde sistêmica.

​O sono como assinatura biológica

​A pesquisa baseou-se em dados do UK Biobank, analisando o histórico de milhares de participantes. A IA não foca apenas na quantidade de horas dormidas, mas na microestrutura do sono: a alternância entre as fases, a frequência cardíaca durante o repouso e a variabilidade respiratória.

​Diferente de diagnósticos tradicionais que exigem exames de sangue ou imagem, este modelo identifica padrões sutis que o olho humano não consegue detectar. Entre as condições que a IA conseguiu prever com alta precisão, destacam-se:

  • Doenças Cardiovasculares: Insuficiência cardíaca e hipertensão.
  • Distúrbios Metabólicos: Diabetes tipo 2 e obesidade.
  • Saúde Mental: Depressão e transtornos de ansiedade.
  • Doenças Neurodegenerativas: Sinais precoces de Parkinson e Alzheimer, que muitas vezes manifestam distúrbios de sono anos antes dos sintomas motores.

​O papel da Google Health e a acessibilidade

​A grande inovação apresentada pela equipe da Google é a capacidade de realizar essas previsões utilizando sensores relativamente simples, como os encontrados em smartwatches e anéis inteligentes. Isso democratiza o rastreio de saúde, transformando um acessório de consumo em uma ferramenta de triagem médica contínua.

​”O sono é um estado em que o corpo está em reparação. Se algo está errado internamente, o padrão de ‘manutenção’ do organismo muda, e a IA aprendeu a ler esses códigos”, explicam especialistas envolvidos no projeto.

​Desafios e o futuro da medicina preditiva

​Apesar do entusiasmo, a comunidade médica ressalta que a ferramenta deve ser vista como um sistema de alerta precoce e não como um diagnóstico definitivo. O objetivo é que a IA aponte um risco aumentado, levando o paciente a procurar um especialista para exames clínicos detalhados.

​Os próximos passos incluem a validação desses algoritmos em populações mais diversas para garantir que a IA mantenha a precisão em diferentes etnias e faixas etárias.

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