iFood consolida domínio em São Paulo e transforma capital paulista em “fortaleza” contra concorrência
São Paulo não é apenas a maior cidade do Brasil; para o iFood, ela é o centro nervoso de uma estratégia de guerra que praticamente eliminou grandes rivais globais do cenário nacional. Enquanto empresas como Uber Eats e 99Food recuaram ou encerraram operações de entrega de comida no país, a foodtech brasileira fortaleceu suas barreiras de entrada, utilizando a densidade demográfica e a logística da capital paulista como seu principal escudo.
A estratégia da exclusividade e capilaridade
O segredo do domínio do iFood em São Paulo reside em uma combinação agressiva de contratos de exclusividade com grandes redes de restaurantes e uma malha logística incomparável.
- Barreiras de entrada: Ao garantir que os restaurantes mais populares estejam apenas em sua plataforma, o iFood força o consumidor a manter o aplicativo instalado.
- Densidade de entregadores: Em São Paulo, a empresa otimizou algoritmos para reduzir o tempo de espera, algo crucial em uma cidade com trânsito caótico.
- O fator “Superapp”: A inclusão de mercados, farmácias e pet shops transformou o iFood em uma ferramenta de utilidade diária, e não apenas de fins de semana.
O cenário atual: 2025-2026
Recentemente, o cenário regulatório e competitivo trouxe novos capítulos para essa “guerra”:
- Regulação do CADE: O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) impôs limites aos contratos de exclusividade do iFood para evitar o fechamento total do mercado. No entanto, analistas do setor apontam que a marca já atingiu um nível de fidelização (top of mind) que torna a migração para novos players um desafio hercúleo.
- Novas Leis Trabalhistas: Com a implementação das diretrizes para trabalhadores de aplicativos, o iFood saiu na frente ao estruturar pacotes de benefícios e seguros, usando sua escala financeira para absorver custos que plataformas menores não conseguem suportar.
- Expansão Tecnológica: A empresa tem investido pesado em Inteligência Artificial para prever demandas em bairros específicos de São Paulo, como Itaim Bibi e Jardins, antecipando a logística antes mesmo do pedido ser fechado.







