Incidente na Mina de Fábrica da Vale mobiliza autoridades e atinge instalações da CSN em Minas Gerais

No exato dia em que a tragédia de Brumadinho completa sete anos, um novo incidente envolvendo a mineradora Vale voltou a espalhar apreensão e alerta na Região Central de Minas Gerais. Na madrugada deste domingo, 25 de janeiro de 2026, houve um extravasamento de água e sedimentos na Mina de Fábrica, localizada entre os municípios de Ouro Preto e Congonhas.

​O fluxo de material, estimado em cerca de 220 mil metros cúbicos — o equivalente a 88 piscinas olímpicas —, atingiu áreas operacionais da CSN Mineração, empresa vizinha ao complexo. Segundo informações das autoridades locais e da própria companhia, cerca de 200 funcionários da CSN precisaram ser evacuados preventivamente das oficinas, do almoxarifado e de áreas de embarque, que foram tomados por uma correnteza de lama de aproximadamente 1,5 metro de altura.

​Impactos e respostas

​Embora a Vale tenha reforçado em nota oficial que “não houve rompimento de barragem” e que as estruturas de contenção de rejeitos na região permanecem estáveis e monitoradas, o impacto ambiental preocupa. O prefeito de Congonhas, Anderson Cabido, classificou o episódio como “significativo”, destacando que a enxurrada de sedimentos atingiu o leito do Rio Goiabeiras, afluente que compõe a bacia do Rio Paraopeba — o mesmo que foi devastado há sete anos.

​As defesas civis estadual e municipais, junto ao Corpo de Bombeiros, foram acionadas para monitorar as comunidades do entorno, como os distritos de Pires e áreas rurais próximas. Até o momento, não há registro de feridos ou de comunidades atingidas diretamente pela lama, mas moradores de bairros como Campo das Flores e Mineirinho permanecem em estado de vigilância devido à turbidez da água e ao histórico traumático da região.

​Coincidência histórica e insegurança

​O transbordamento ocorre em um momento de forte simbolismo e tensão. Neste 25 de janeiro, famílias e sobreviventes realizam atos em memória das 272 vítimas do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão. A repetição de incidentes em estruturas de mineração, mesmo que de menor escala, reacende o debate sobre a segurança e a eficácia da fiscalização nas cavas e reservatórios de água (sumps) que não são classificados formalmente como barragens de rejeitos.

​A Vale informou que as causas do extravasamento estão sendo apuradas e que prioriza a proteção das pessoas e do meio ambiente. Já a CSN Mineração declarou que suas estruturas operam normalmente e que colabora com os órgãos competentes para mitigar os prejuízos em suas instalações.

Principais envolvidos:

  • Vale: Responsável pela estrutura que transbordou.
  • CSN Mineração: Empresa vizinha atingida pelo fluxo de água e sedimentos.
  • Prefeituras de Congonhas e Ouro Preto: Atuam na fiscalização e monitoramento dos riscos às populações locais.
  • Defesa Civil de Minas Gerais: Coordena as inspeções técnicas no local do incidente.

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