O influenciador digital paranaense Eduardo Felipe Campelo, investigado por chefiar um esquema milionário de jogos de azar e rifas virtuais, desembarcou no Brasil na última segunda-feira (12). O retorno ocorre após um período turbulento nos Emirados Árabes Unidos, onde Campelo chegou a ser detido pela polícia local em julho de 2025, após ter seu nome incluído na difusão vermelha da Interpol a pedido da Justiça brasileira.
O esquema e as investigações
Eduardo Campelo, natural de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, é apontado pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) como um dos principais divulgadores do chamado “Jogo do Tigrinho” e de plataformas de apostas ilegais. De acordo com as investigações, o influenciador teria movimentado cerca de R$ 8,5 milhões através de práticas ilícitas que incluem estelionato, lavagem de dinheiro, associação criminosa e crimes contra a economia popular.
A trajetória de Campelo chamou a atenção das autoridades pela rapidez da ascensão financeira: de motoboy a detentor de um patrimônio de luxo, ele ostentava nas redes sociais carros importados e viagens internacionais. Segundo a polícia, essa exposição servia como “isca” para atrair seguidores — que somavam mais de 500 mil em suas contas — com a promessa de ganhos fáceis e rápidos.
Fuga e prisão internacional
Em abril de 2024, o influenciador deixou o Brasil rumo a Dubai, descumprindo medidas cautelares impostas pela Justiça paranaense, que o proibiam de deixar o país. Mesmo no exterior, Campelo continuou a promover jogos de azar e a debochar das investigações em suas postagens, o que acelerou o pedido de extradição e a inclusão de seu nome na lista de procurados internacionais.
Após ser preso em Dubai, onde permaneceu detido por 61 dias, Campelo concedeu entrevistas afirmando que sua estadia nos Emirados Árabes não era uma fuga, mas sim “férias prolongadas” e que pretendia retornar ao Brasil para provar sua inocência.
Situação atual
Com o retorno ao território nacional nesta semana, Eduardo Felipe Campelo foi apresentado às autoridades competentes. Diferente da vida de luxo que exibia nos hotéis mais caros do mundo, o influenciador agora enfrenta o processo judicial em solo brasileiro. Seus bens, incluindo veículos de luxo e contas bancárias, permanecem bloqueados por ordem judicial para garantir o eventual ressarcimento das vítimas do esquema.
A defesa de Campelo sustenta que as movimentações financeiras apontadas pela polícia estão fora da realidade e que as atividades realizadas por ele configurariam apenas publicidade, e não crime. O caso segue sob segredo de justiça em algumas instâncias, enquanto o Ministério Público do Paraná (MP-PR) prepara os próximos passos da ação penal.




