Apenas dias após a assinatura de um histórico acordo diplomático entre os Estados Unidos e o Irã, as Forças Armadas iranianas, por meio do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), anunciaram o fechamento imediato do estreito de Ormuz. A decisão foi classificada por Teerã como o “primeiro passo de resposta” diante de uma suposta violação flagrante das promessas feitas pelo governo norte-americano e por Israel no memorando de entendimento firmado nesta semana.
O pacto, assinado no dia 17 de junho de 2026, tinha como objetivo principal encerrar o conflito armado de mais de 100 dias na região, suspender o bloqueio naval aos portos iranianos e iniciar um período de 60 dias para negociações sobre o programa nuclear do país. Em troca, o Irã havia se comprometido a reabrir a importante via marítima e iniciar a remoção de minas flutuantes.
No entanto, o comando central iraniano justificou o novo bloqueio alegando que as forças israelenses continuaram a desferir ataques a alvos no sul do Líbano, o que descumpriria os termos de cessar-fogo integral previstos no tratado mediado por Catar e Paquistão.
Alerta máximo na segurança marítima
De acordo com informações da agência de notícias estatal iraniana Mehr, o estreito foi completamente fechado para o tráfego marítimo comercial, com avisos de que navios mercantes não devem se aproximar da rota norte da passagem — controlada diretamente por Teerã nas proximidades da Ilha de Larak —, sob o risco de comprometer a segurança das tripulações.
O fechamento abrupto interrompe um breve momento de alívio no mercado internacional, que já registrava um forte aumento no tráfego de embarcações comerciais e navios petroleiros após a flexibilização do bloqueio na última quinta-feira.
Negociações sob forte ameaça
A escalada de tensão ocorre justamente no momento em que as equipes diplomáticas começavam a desembarcar na Suíça para discutir os detalhes técnicos do programa nuclear e a diluição dos estoques de urânio enriquecido do Irã. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, alertou que se os compromissos assumidos na semana não forem rigorosamente mantidos, “o memorando de entendimento como um todo estará irremediavelmente ameaçado”.
Do lado ocidental, o governo norte-americano indicou que mantém seus principais negociadores na Suíça para tentar salvar o acordo político, mas o presidente Donald Trump subiu o tom em declarações recentes, ameaçando impor pedágios operados pelos EUA no próprio estreito caso o Irã não colabore com as resoluções definitivas no prazo estipulado. O estreito de Ormuz é considerado a principal artéria do comércio energético global, sendo responsável pelo escoamento de aproximadamente 20% do fornecimento mundial de petróleo.
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