O pacote de medidas econômicas anunciado pelo Governo Federal propõe uma reestruturação profunda na tabela do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF). A mudança principal foca em dois extremos da pirâmide social: o alívio para a classe média e o aumento da carga tributária para quem possui rendimentos elevados, especialmente acima de R$ 50 mil mensais.
Isenção ampliada para R$ 5 mil
O ponto central da proposta é a promessa de campanha de elevar a faixa de isenção para quem ganha até R$ 5.000,00. Atualmente, o teto de isenção está fixado em R$ 2.824,00 (equivalente a dois salários mínimos).
Para viabilizar essa mudança sem comprometer as metas fiscais, o governo planeja uma implementação gradual. A expectativa é que milhões de contribuintes deixem de pagar o tributo, aumentando o poder de consumo das famílias brasileiras.
O “Robin Hood” tributário: Taxação de quem ganha mais de R$ 50 mil
Para compensar a perda de arrecadação com a isenção, o Ministério da Fazenda desenhou uma nova alíquota ou um imposto mínimo voltado para os “super-ricos”.
- Público-alvo: Contribuintes com renda superior a R$ 50 mil mensais.
- Mecanismo: A proposta estuda a criação de uma alíquota efetiva mínima. Isso evita que grandes rendimentos, muitas vezes recebidos como lucros e dividendos (atualmente isentos), fiquem abaixo da tributação paga pela classe média assalariada.
- Impacto: Estima-se que essa medida atinja menos de 1% da população brasileira, mas com potencial de arrecadação bilionário.
Contexto Político e Próximos Passos
O texto da reforma faz parte de um conjunto de medidas de corte de gastos e ajuste de receitas. O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem reforçado que a reforma é “neutra”, ou seja, ela não visa aumentar a carga tributária total, mas sim redistribuí-la para tornar o sistema mais progressivo — onde quem ganha mais, paga proporcionalmente mais.
”O objetivo é corrigir uma injustiça histórica no sistema tributário brasileiro, onde a classe média sustenta uma carga desproporcional em relação ao topo da pirâmide”, afirmam técnicos da equipe econômica.
A proposta agora precisa enfrentar o crivo do Congresso Nacional, onde deve encontrar resistência de setores ligados ao mercado financeiro e grandes fortunas, mas forte apoio popular devido ao aumento da faixa de isenção.







