Internacional

Japão aprova orçamento de defesa recorde em meio a tensões crescentes com a China

​O governo do Japão, liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi, aprovou na sexta-feira, 26 de dezembro de 2025, um orçamento de defesa sem precedentes para o ano fiscal de 2026. O valor ultrapassa a marca histórica de 9 trilhões de ienes (aproximadamente US$ 58 bilhões), consolidando um aumento de 9,4% em relação ao ano anterior e marcando o 14º ano consecutivo de expansão nos gastos militares do país.

​A medida reflete a urgência de Tóquio em fortalecer suas capacidades de dissuasão diante da rápida expansão militar da China e das ameaças persistentes da Coreia do Norte. O anúncio ocorre em um momento de atrito diplomático agudo, após Takaichi — apelidada de “Dama de Ferro” japonesa — sugerir recentemente que o Japão poderia intervir militarmente caso Pequim atacasse Taiwan.

​Foco em contra-ataque e tecnologia não tripulada

​O novo plano orçamentário prioriza a modernização tecnológica e a capacidade de “golpe de resposta” (counterstrike). Entre os principais investimentos detalhados no documento oficial, destacam-se:

  • Sistema “SHIELD”: Cerca de 100 bilhões de ienes foram destinados ao desenvolvimento deste programa, que visa criar um escudo de defesa costeira composto por drones aéreos, de superfície e subaquáticos para monitorar as ilhas do sudoeste.
  • Mísseis de Longo Alcance: Investimentos massivos na produção em massa de mísseis guiados hipersônicos e na atualização dos mísseis terra-navio Tipo-12, capazes de atingir alvos a mais de 1.000 km de distância.
  • Avanço Espacial: O orçamento reforça a vigilância via satélite, uma área que gerou fortes críticas de Pequim, que acusou Tóquio de alimentar uma “corrida armamentista espacial”.

​Antecipação de metas e pressão externa

​Sob pressão da nova administração de Donald Trump nos Estados Unidos, que tem cobrado maior investimento de seus aliados, o Japão antecipou sua meta de atingir 2% do PIB em gastos de defesa para março de 2026, dois anos antes do cronograma original estabelecido em 2022.

​Apesar da aprovação, o governo enfrenta desafios internos. A dívida pública do país permanece elevada e o aumento do custo do serviço da dívida — devido à subida das taxas de juros pelo Banco do Japão — gera incertezas sobre como esses gastos militares serão financiados a longo prazo, com protestos da população temendo novos aumentos de impostos.

​Reação de Pequim

​A resposta da China foi imediata e severa. O porta-voz do Ministério da Defesa chinês, Zhang Xiaogang, afirmou que as ações do Japão representam um “desafio flagrante à ordem internacional do pós-guerra” e acusou o país vizinho de tentar “reviver o militarismo”. Pequim instou Tóquio a cessar “narrativas falsas” e ações provocativas na região.

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com