O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom neste sábado (3 de janeiro de 2026) ao condenar a ofensiva militar dos Estados Unidos em território venezuelano. Em pronunciamento oficial, Lula classificou a ação que resultou na captura de Nicolás Maduro como uma “afronta gravíssima à soberania” e uma violação direta do direito internacional.
Para o mandatário brasileiro, o episódio estabelece um precedente perigoso que pode mergulhar a região em um cenário de instabilidade e violência.
Violação da soberania e risco regional
Lula utilizou suas redes sociais e canais oficiais para expressar preocupação com o método utilizado pelos EUA. Segundo o presidente, ao ignorar os mecanismos multilaterais, a ação ignora décadas de esforços para manter a América Latina como uma zona de paz.
”Atacar países em flagrante violação do direito internacional é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, afirmou o presidente.
Resumo dos fatos recentes
A tensão escalou rapidamente após as seguintes atualizações:
- A Captura: Na madrugada de sábado, forças especiais dos EUA realizaram uma operação que resultou na detenção de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Donald Trump confirmou a ação, chamando-a de “brilhante”.
- Paradeiro Desconhecido: A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, exigiu “provas de vida” do casal, afirmando que o governo de Caracas não foi informado sobre o local para onde foram levados.
- Reação Brasileira: O governo Lula convocou uma reunião ministerial de emergência no Itamaraty. O ministro da Defesa, José Múcio, informou que a fronteira em Roraima segue monitorada e, até o momento, aberta e tranquila.
O papel da ONU e o futuro diplomático
O Brasil defende que a solução para a crise venezuelana deveria ocorrer por vias diplomáticas e eleitorais, e não através de intervenção militar estrangeira. Lula cobrou uma resposta “vigorosa” da Organização das Nações Unidas (ONU) para mediar o conflito e evitar uma escalada de violência sem precedentes no continente.
Enquanto líderes como Javier Milei (Argentina) comemoraram a queda de Maduro, o Brasil tenta se equilibrar na posição de mediador, embora a relação com a Casa Branca tenha sofrido um desgaste imediato após as declarações de hoje.







